Os produtores europeus de leite exigem a criação imediata de um mecanismo no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) que permita reduzir a produção em momentos de crise e assegurar um equilíbrio a longo prazo do mercado de laticínios.

Num comunicado emitido hoje na sequência da assembleia-geral do “European Milk Board” (EMB), que decorreu na semana passada em Hoznayo (Espanha), a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) destaca que os produtores de leite de 14 associações europeias ali representadas consideram que a criação deste “instrumento legal dentro da PAC” é “uma obrigação”, já que só assim será possível “prevenir futuras crises no setor através da redução de volume produção em momentos de crise”.

O Programa de Responsabilidade de Mercado proposto pelo EMB, que prevê cortes voluntários de produção em tempos de crise, aliado aos limites de volume, deve ser um instrumento permanente e ancorado na Política Agrícola Comum”, advogou o presidente daquele organismo, Romuald Schaber.

Para provar a eficácia de um mecanismo deste género, a EMB avança o “inegável efeito positivo sobre os rendimentos dos produtores”, obtido pelo programa de redução de volume de leite lançado pela União Europeia no verão de 2016.

Segundo os produtores europeus, apesar da “imagem da recuperação” dos preços do leite que está a ser “difundida ao nível da comunicação social”, a realidade das explorações leiteiras “é bem diferente” e “os produtores ainda não recebem um preço por litro de leite capaz de cobrir os custos de produção”.

Os maiores lucros realizados pelos produtos lácteos com a gordura do leite são anulados pelos preços extremamente baixos para a proteína do leite”.

Assegurando que “os retalhistas são os que mais beneficiam com a situação de escassez de gorduras lácteas no mercado”, a Aprolep adverte que os consumidores “estão a pagar preços inflacionados pela manteiga”, chegando a ser “confrontados com prateleiras vazias, como já acontece em França”, enquanto “os produtores, por outro lado, não estão a ver nenhum dos ganhos”.

Outro aspeto considerado “muito problemático no mercado dos laticínios” é o leite em pó “acumulado em armazenamento público”, com a EMB a exigir “de forma inequívoca uma redução nos volumes de intervenção, atualmente de 109.000 toneladas por ano, e simultaneamente um aumento do preço de intervenção para um mínimo de 30 cêntimos/quilograma”.

“A Comissão Europeia não pode continuar a usar um instrumento que custa dinheiro, mas que quase não traz nenhum resultado e, eventualmente, pode voltar a assombrar os produtores de leite”, sustenta, defendendo que “maiores quantidades de leite devem ser intervencionadas apenas se a procura por produtos lácteos diminuir de forma inesperada, como aconteceu aquando do embargo russo”, e que “o normal é a produção ser acomodada ao seu potencial de venda, através de um programa de redução de volume, assim que a quantidade fixa tiver sido alcançada”.

Na assembleia-geral da EMB as associações de produtores presentes manifestaram-se também contra a venda de leite em pó desnatado “a preços predatórios (‘dumping’)”, defendendo “possíveis usos alternativos para o leite em pó”.

“Dada a urgência da situação no setor do leite, pedimos aos decisores políticos que implementem estas medidas o mais rapidamente possível. Caso contrário, os produtores de leite a nível europeu já preparam algumas manifestações para exigirem as suas revindicações”, concluem.