A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) português cresça 2,6% este ano e 2,3% em 2018 e 2019. Apesar de alertar que uma política fiscal demasiado expansionista ameaçaria a sustentabilidade fiscal, as previsões para 2017 e ano que vem são revistas em alta face aos 21,% e 1,6%, respetivamente, que a organização estimava em junho. Chegando a ficar a cima dos 2,2% de crescimento para 2018 previsto pelo Governo.

Segundo as estimativas do “Economic Outlook” da OCDE, hoje divulgado, o crescimento económico em Portugal deverá ser de 2,6% este ano e “permanecer acima dos 2% [2,3% em cada um dos anos seguintes de acordo com a tabela anexa ao relatório] em 2018 e 2019, impulsionado pela procura interna e pelas exportações”, o que colocaria o país a crescer acima da média da zona euro durante três anos.

O crescimento do consumo continuará sólido, suportado pela descida da taxa de desemprego [de 9,1% este ano para 8,2% em 2018 e 7,4% em 2019] e por um mais forte crescimento dos salários”, lê-se no relatório, segundo o qual “o investimento será impulsionado pela aceleração do mercado exportador e pelo crescente investimento público”.

Prevendo que a política fiscal deverá ser “moderadamente expansionista em 2017 e 2018”, a OCDE avisa que “estímulos orçamentais adicionais devem ser evitados dada a necessidade de reduzir a dívida pública”, que considera continuar “demasiado alta” e “limitar a capacidade de resposta do Governo na eventualidade de futuros choques externos negativos”.

Ainda assim, a organização com sede em Paris diz haver “margem para uma política fiscal mais amiga do crescimento, mediante ajustamentos na composição da despesa e dos impostos”.

No que se refere ao défice orçamental português, as estimativas da OCDE não sofrem alteração face a junho e apontam para um défice de 1,5% do PIB este ano, de 1% em 2018 e de 0,3% em 2019.

O “Economic Outlook” de outono refere ainda o “elevado nível de endividamento” do setor privado em Portugal, “apesar da desalavancagem feita nos últimos quatro anos”, advertindo que esta situação “agrava a vulnerabilidade do sistema bancário”, que “continua a apresentar baixos níveis de rentabilidade e um elevado nível de crédito malparado”.

A este nível, a OCDE nota que “medidas políticas de apoio ao desenvolvimento do mercado da dívida permitiriam reduzir as vulnerabilidades financeiras, apoiar o crescimento a longo prazo e promover a estabilidade fiscal”.