O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou esta quinta-feira que o organismo de avaliação independente do FMI fez um "trabalho menos cuidado" relativamente à situação do setor bancário português durante o programa de resgate da 'troika'.

A avaliação independente que é feita por um avaliador independente que fez um trabalho, no meu entender, menos cuidado, é a de que nós impusemos a nossa perspetiva ao FMI e que o FMI seguiu o Banco de Portugal", afirmou Carlos Costa.

Não tenho nenhum problema com o facto porque a História mostrará que a nossa posição era a correta", acrescentou, em resposta às perguntas colocadas pela deputada do CDS Cecília Meireles durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

"Se se fizesse um programa desta natureza, a restrição financeira pública teria sido muito mais dura, e eu duvido mesmo que houvesse condições sociais e políticas para um programa de ajustamento desta dimensão", salientou o governador.

E rematou: "Gostaria de chamar à atenção, não havia também, [mas] mesmo que houvesse dinheiro disponível, não havia possibilidade senão entrávamos imediatamente numa trajetória de insustentabilidade da dívida que nos levava para um terreno onde esteve um outro país que eu não vou citar".

O organismo de avaliação independente do FMI considerou hoje que o Fundo "não anteviu a magnitude dos riscos" que Portugal, Grécia e Irlanda enfrentaram durante a crise, concluindo que o programa português e o grego "incorporaram projeções de crescimento demasiado otimistas".

No documento, o Independent Evaluation Office (IEO) do Fundo Monetário Internacional (FMI), um organismo interno da instituição liderada por Christine Lagarde, olha para o trabalho do Fundo nos programas de resgate em Portugal, na Grécia e na Irlanda durante a crise financeira internacional e faz uma avaliação quanto a cinco aspetos centrais: a fiscalização, a tomada de decisão, o trabalho com os parceiros europeus, o desenho e a implementação dos programas e o cumprimento das normas e transparência.

A fiscalização do FMI anterior à crise identificou essencialmente os problemas certos, mas não anteviu a magnitude dos riscos que mais tarde se tornariam fundamentais", lê-se no relatório hoje publicado.

Sublinhando que a fiscalização da arquitetura da regulação financeira da zona euro "foi no geral de elevada qualidade", o IEO afirma que os técnicos do FMI "não viram o crescimento dos riscos do sistema bancário em alguns países" e "partilharam a perspetiva amplamente difundida de que 'a Europa é diferente'".