Portugal enviou um documento de trabalho a Bruxelas com propostas para uma maior coordenação das políticas económicas na zona euro, confirmou à Lusa fonte europeia. As propostas deverão ser discutidas na cimeira europeia de junho.

A reflexão enviada pelo Governo liderado por Passos Coelho faz parte de uma discussão que está a ser feita na União Europeia sobre o reforço da governação da União Económica e Monetária e para a qual foram pedidos contributos aos Estados-membros.

No Conselho Europeu de fevereiro, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou aos chefes de Estado e de Governo um pequeno estudo, disponível no portal do executivo comunitário, sobre as causas da crise na União Económica e Monetária, as medidas tomadas para fazer face à crise e as falhas existentes no quadro da união monetária.

A apresentação terminava com um questionário sobre como consideram os países que deve evoluir a governação da zona euro para tornar esta área monetária menos frágil.

Esse documento servirá de base para o relatório que o chamado grupo dos "quatro presidentes" - o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi - vai apresentar na cimeira de junho a ‘título pessoal', ou seja, sem vincular as instituições a que presidem.

Para a elaboração desse documento, os Estados-membros foram convidados a enviar propostas, que serão discutidas no Conselho Europeu de junho.

No âmbito deste processo, foi já realizada a 11 de março uma reunião de conselheiros dos Governos sobre esse assunto, com Portugal representado por Virgínia Pina.

A Lusa contactou o Governo para obter mais informação sobre o documento de trabalho enviado para Bruxelas, mas não foi possível obter esclarecimentos até ao momento. A Comissão Europeia e o Conselho Europeu remeteram explicações para a próxima semana.

Os mecanismos com vista a uma maior integração na zona euro, que estão a ser discutidos, abarcam as questões orçamentais, fiscais, entre outras, como as relacionadas com o mercado de trabalho.

O objetivo desta maior coordenação de políticas na zona euro é também fazer com que os Estados-membros fiquem mais ‘presos' aos compromissos que assumem, evitando que alterações - como políticas, no caso da Grécia - ponham em causa a implementação de medidas previamente definidas.