A Fitch alertou esta quinta-feira em Lisboa que só vai melhorar o rating de Portugal quando estiver “confiante de que as autoridades estão empenhadas” em cumprir os objetivos orçamentais e avisou que mais despesa pode penalizar a nota.

Numa conferência organizada pela agência de notação financeira hoje em Lisboa, Douglas Renwick, do departamento de ratings soberanos, explicou por que razão a Fitch “está a levar o seu tempo” a tomar uma decisão em relação à nota atribuída a Portugal, de ‘BB+’ e com perspetivas positivas, uma avaliação que a agência mantém há quase dois anos.

Douglas Renwick começou por dizer que “não é incomum manter um outlook [perspetiva] positivo por um ou dois anos” sem subir a nota atribuída nesse período e reiterou que, para haver uma melhoria do rating, a Fitch tem de estar “confiante de que, no médio prazo, as autoridades estão empenhadas em cumprir os objetivos de consolidação orçamental”.

Apesar de considerar que o esboço de orçamento para 2016 “está em linha” com as expectativas da Fitch, o analista deixou um aviso “aumentos significativos” da despesa podem prejudicar a decisão de subir o ‘rating’ do país.

Como aspetos negativos, o responsável apontou ainda um certo “relaxamento orçamental, que é menos benéfico para a redução da dívida pública”, um crescimento económico “ainda fraco” e a dificuldade em fazer mais progressos quanto aos desequilíbrios externos.

Já na segunda-feira, a Fitch tinha considerado que o esboço do Orçamento do Estado para 2016 de Portugal se baseia em estimativas de crescimento económico e de redução de despesa e aumento de receita que podem revelar-se irrealistas.

“O esboço de Plano Orçamental Português para 2016 pretende manter a consolidação orçamental, mas baseia-se em estimativas de crescimento e em planos de receita e despesa que se podem revelar irrealistas”, escreveu a agência de notação financeira numa nota sobre Portugal.