O presidente da CP e da EMEF, Manuel Queiró, deixou uma mensagem à TAP dizendo que a transportadora “pode contar com a CP”, durante a apresentação da nova geração dos comboios Alfa Pendular.

“Ultimamente tem sido notícia a concorrência com o modo aéreo. Queremos mandar uma mensagem à TAP, que é a mesma que mandamos aos portugueses: ‘contem com a CP’”, disse Manuel Queiró.

O responsável reforçou ainda que com este instrumento – os 10 comboios Alfa Pendulares que serão totalmente renovados - e o instrumento comercial da CP, a empresa “vai encontrar uma resposta numa guerra, que não é uma guerra, é uma disputa”.

“Numa guerra há vencedores e vencidos, nesta guerra só haverá um vencedor que é o passageiro, e nessa disputa a TAP e o passageiro podem contar com a CP”, afirmou.

Questionado sobre se a frota da CP será suficiente para fazer face ao anúncio da TAP sobre os voos de hora a hora entre Lisboa e o Porto, Manuel Queiró disse: “É evidente que a CP nos últimos três anos tem estado muito agressiva no plano comercial com benefícios para todos, daí também o grande aumento de passageiros que temos registado, nomeadamente no longo curso”.

Assim, garantiu Manuel Queiró, a empresa vai continuar nessa senda.

“Já ganhamos uma primeira batalha com a Ryanair. Agora vêm os gigantes, vem a TAP, é um desafio maior, que terá uma resposta adequada. Não vou revelá-la hoje, não corremos a foguetes, estamos atentos ao aparecimento de uma concorrência mais forte, vamos entrar nessa disputa e o único vencedor vai ser o passageiro”.
E reforçou: “Esperem mais um pouco e vão ver a resposta da CP”.

Já sobre uma eventual descida dos preços, afirmou que “evidentemente vai ser uma resposta de caráter comercial”, mas não adiantou pormenores.

Quanto à eventual possibilidade da privatização da EMEF voltar a estar em cima da mesa, frisou que “a CP está muito confortável com uma EMEF de cariz público. Permite-nos perspetivar um futuro, o desenvolvimento da CP, os seus ganhos de eficiência, não quer dizer que estamos fechados a quaisquer evoluções, nomeadamente aquelas que possam trazer ganhos de eficiência, e portanto sustentabilidade ao conjunto do grupo da CP”, disse.

Sobre o concorrente espanhol da CP, a Renfe, Manuel Queiró sublinhou ainda que à medida que a operação e o serviço for melhorado, e quando se conseguir que em Portugal todos se preocuparem com os investimentos nas infraestruturas, existirão condições de comunicabilidade e mudanças previsíveis na interoperabilidade que permitam que os dois países também concorram.

“Está inscrito no futuro uma competição entre os dois, CP e Renfe. Estamos a preparar-nos para a concorrência, para sermos um operador ibérico na concorrência ibérica”, frisou.