À semelhança do Banco de Portugal, o banco central de Cabo Verde também rejeitou a proposta de compra do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV) apresentada pelo grupo económico do empresário José Veiga por considerar não haver "garantias de uma gestão prudente", foi hoje anunciado. O empresário, recorde-se, está em prisão preventiva

"O Conselho de Administração do Banco de Cabo Verde […] deliberou opor-se ao projeto de aquisição de participação qualificada de 100% das ações representativas do capital social do Banco Internacional de Cabo Verde pelo Groupe Norwich", afirma o BCV em comunicado, adiantando que a decisão foi tomada a 19 de fevereiro, durante a sessão ordinária do Conselho de Administração do BCV.

Na origem da recusa está, segundo o BCV, "o vazio de informações acerca" do grupo detido por José Veiga, a quem o Banco de Cabo Verde tinha já negado um pedido de autorização para a constituição de um banco "de natureza semelhante por falta de preenchimento de requisitos legais".

O BCV fundamenta ainda a decisão com a "inexistência, no processo, das demonstrações financeiras devidamente certificadas do Groupe Norwich ou de quaisquer informações sobre o financiamento da aquisição, especialmente sobre o recurso a fundos próprios e a origem de tais fundos".

"A ausência, no processo, do plano de desenvolvimento estratégico, com a indicação, em termos gerais, dos principais objetivos da aquisição e dos meios principais para os atingir, bem como das contas previsionais relativas à entidade objeto da proposta de aquisição, numa base individual e consolidada, por um período de três anos", acrescenta.

A falta de informação financeira de António José da Silva Veiga enquanto "pessoa no topo da cadeia de participações" pesou também na decisão da autoridade de supervisão bancária cabo-verdiana.

"A subsistência de dúvidas sobre a idoneidade do detentor indireto de participações qualificadas, António José da Silva Veiga, sobre o qual pairam investigações relevantes, aplicação de medidas coercivas ou imposição de sanções administrativas por incumprimento das disposições que regem a atividade bancária, a intermediação de valores mobiliários ou a atividade seguradora ou qualquer legislação relativa ao sistema financeiro".

A decisão do banco central de Cabo Verde surge depois de o Banco de Portugal ter já chumbado a venda do BICV a José Veiga, na sequência da investigação judicial ao empresário que se encontra em prisão preventiva, depois de ter sido detido no mês passado no âmbito da operação "Rota do Atlântico".