Depois de 16 anos na Metro do Porto, o major Valentim Loureiro abandonou esta segunda-feira a empresa com “uma mágoa” pelo facto de “as linhas que foram aprovadas e negociadas com os (anteriores) governos” não terem sido concluídas.

Valentim Loureiro entrou em 2000 para a Metro do Porto como administrador e dois anos depois, com a morte de Vieira de Carvalho, antigo presidente da Câmara da Maia, foi eleito presidente do Conselho de Administração da empresa, cargo que assumiu até 2008.

Desde 2008 até esta segunda-feira foi presidente da Assembleia Geral da Metro do Porto, tendo sido agora substituído pelo presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto.

“Saio com uma mágoa. As linhas que foram aprovadas e negociadas com os governos acabaram por não ser concluídas, não porque a Metro [do Porto] não o desejasse ou não preparasse”, afirmou Valentim Loureiro aos jornalistas, no final da AG da empresa destinada a eleger novos órgãos sociais para o triénio 2016-2018.


O major, que presidiu à Câmara de Gondomar durante cinco mandatos consecutivos, dois deles como independente, afirmou que o que mais o entristece “é a [linha] de Gondomar, que ficou em Cabanas quando já tinha projeto aprovado para ir a S. Cosme”.

Esta segunda-feira, Valentim Loureiro disse que todas as linhas programadas, como a da Trofa, a de Gondomar e a de Gaia, “deviam ter sido feitas”.

“Não porque houvesse dinheiro, não havia, mas na altura havia crédito e quem ficou a dever não sei quantos milhões, que é a dívida do país, ficava a dever mais alguns e nós aqui tínhamos ficado servidos pelo metro”, frisou, acrescentando, contudo, que à época não entendia “como é que se podia criar tanta dívida e quem é que havia de a pagar”, o que agora “está à vista de toda a gente como é que ela vai ser paga”.

Para o major, a Metro do Porto funcionou sempre muito bem até à entrada do conselho de administração presidido por João Velez Carvalho, que hoje cessou funções e durante o qual foi lançado um concurso público internacional para a subconcessão da operação, que acabou por ser adjudicada à Transdev por ajuste direto pelo anterior Governo PSD/CDS e que antes de o Tribunal de Contas dar visto prévio foi suspensa pelo Governo de António Costa.

“O metro funcionou bem da maneira que estava a funcionar, depois quiseram subconcessionar… é uma matéria que não estou minimamente interessado em discutir, só que digo o seguinte: com a administração de que fiz parte, e com a do Vieira de Carvalho e os dois [conselhos de administração] que se seguiram isto aqui funcionou sempre bem”, disse.

E "quando as coisas funcionam bem não vale a pena alterar", disse, se bem que tenha acrescentado não discordar "que naturalmente o governo anterior quisesse alterar".

Em declarações esta manhã aos jornalistas, o presidente do Conselho Metropolitano do Porto (CmP), Hermínio Loureiro, agradeceu a todos os membros da administração da Metro que hoje abandonaram o cargo, destacando Valentim Loureiro, “que fez quase tudo nesta casa”.

“Deram o seu melhor nesta casa”, frisou, adiantando que a nova administração precisa agora de “meios financeiros para poder concretizar o crescimento que é desejado na Metro”.