O secretário de Estado Adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, espera que o banco de fomento possa estar a aprovar crédito às PME a partir do segundo semestre de 2014.

Citado pela Lusa, Leonardo Mathias considerou ser «uma ideia muito interessante e pertinente» e «um timing muito bom, que vai ao encontro das [suas] expectativas», fazer coincidir a entrada em funcionamento da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD, vulgarmente designada como banco de fomento) com a intenção declarada há cerca de um mês pelo ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, de estar a aprovar os primeiros projetos do novo QREN na segunda metade de 2014.

Sobre a natureza da instituição, Leonardo Mathias disse apenas que «não é um banco, é uma Instituição Financeira de Desenvolvimento», como foi especificado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em agosto, escusando-se a entrar em detalhes sobre a proveniência dos respetivos fundos ou a ordem de grandeza dos mesmos.

O governante, que falou à margem da cerimónia de entrega dos Prémios Portugal PME, organizada pelo «Jornal de Negócios» e «Correio da Manhã», rejeitou também adiantar pormenores relativamente ao calendário para a apresentação da instituição, sublinhando apenas que «o Governo vai cumprir as datas estipuladas [na resolução do Conselho de Ministros de 14 de junho, os 120 dias previstos], e está para muito breve a decisão em relação a esse aspeto».

«Foi aprovada uma resolução no Conselho de Ministros para estudar aprofundadamente a matéria do tipo de instituição, a forma da instituição, a direção dessa instituição. Essa resolução atribuía a três secretários de Estado, Economia, Finanças e Desenvolvimento Regional, a responsabilidade de formar a equipa interministerial para estudar a instituição, a sua estratégia, a apresentar em Conselho de Ministros, e o Governo vai cumprir as datas estipuladas», disse.

A instituição que o Governo está a criar deverá poder gerir fundos Portugal 2020 ¿ designação do próximo QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), envelope que contém as transferências dos fundos comunitários num período de sete anos ¿, assim como de entidades como o Banco Europeu de Investimento (BEI), e é destinada a melhorar as condições de financiamento das pequenas e médias empresas (PME), por exemplo, através da redução de spreads.

Os principais bancos portugueses mostram-se contra a possível criação de um banco de fomento desde que a ideia começou a ser ventilada, no final do ano passado, considerando por diversas vezes que as instituições financeiras privadas já assumem o papel de financiamento das empresas.