Tal como era de esperar, a reunião do Eurogrupo que decorreu esta sexta-feira em Riga, na Letónia, terminou sem um acordo sobre a Grécia. No entanto, os ministros pedem que se acelerem as negociações e deixam um alerta: “O tempo está a esgotar-se.”

Após a reunião, em conferência de imprensa, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, voltou a reiterar que ainda existem "grandes diferenças" por superar nas negociações com a Grécia e que, antes de receber mais dinheiro, ainda está em falta "um acordo global" sobre a lista de reformas a implementar.

O presidente do Eurogrupo referiu, no entanto, que houve alguns "sinais positivos" na evolução das negociações entre a Grécia e os credores, mas que ainda falta percorrer muito caminho até ser possível um acordo que permita desbloquear a ajuda financeira.

"Recentemente, têm havido sinais positivos, mas há ainda uma longa distância para percorrer", disse o responsável.


A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, referiu que o encontro dos ministros desta sexta-feira foi marcado por um "tom de frustração", por falta de progressos após dois meses de negociações, e que ainda não houve entendimentos em áreas específicas.

O também ministro das Finanças da Holanda afirmou, mais uma vez. a ideia de que "o tempo se está a esgotar", acrescentando que são necessários mais progressos nas negociações para que haja um acordo e reiterando que isso é necessário "antes de qualquer desembolso".

A Grécia, que não recebe qualquer financiamento dos credores oficiais desde agosto do ano passado, enfrenta graves dificuldades de tesouraria para fazer face aos seus compromissos.

Também em declarações aos jornalistas, o comissário Pierre Moscovici considerou, do mesmo modo, que tem havido progressos nas negociações, sobretudo nos últimos dias, mas que ainda são "limitados".

"A mensagem de hoje é clara. É preciso acelerar", acrescentou o responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia.


O presidente do Eurogrupo admitiu ainda a realização de um Eurogrupo extraordinário, afirmando que a sua "agenda é flexível, não é o problema", mas reiterou que nada está previsto e que para isso é necessário que haja antes um entendimento abrangente entre Atenas e o Grupo de Bruxelas, tal como ficou definido no Eurogrupo de fevereiro.

A Grécia está desde fevereiro a negociar com o agora chamado Grupo de Bruxelas, constituído por Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional (a ex-‘troika’) e ainda Mecanismo Europeu de Estabilidade, reformas estruturais e medidas de consolidação orçamental para que possa aceder à última tranche do programa de resgate, de 7,2 mil milhões de euros.

Durante várias semanas este Eurogrupo foi apontado como aquele em que deveria haver um acordo - pelo menos preliminar - que permitisse a Atenas ultrapassar o impasse, mas as dificuldades em chegar a um entendimento com os credores levou a que se tenha adiado novamente essas perspetivas.

As instituições continuam a exigir medidas mais 'aceitáveis' por parte do Governo liderado por Alexis Tsipras, sobretudo em termos de finanças públicas, pensões, legislação laboral e privatizações.

Quando em fevereiro foi prolongado o atual programa de resgate, até junho, ficou definido o mês de abril como aquele em que deveria haver um entendimento quanto às medidas a adotar por Atenas.

Portugal está representado nesta reunião pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.