O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) revelou que entregou uma providência cautelar no tribunal para impedir a entrada da empresa de handling Portway no aeroporto de Ponta Delgada.

«Entregámos no tribunal de Ponta Delgada uma providência cautelar contra a entrada de uma empresa de 'handling' no aeroporto de Ponta Delgada contrariando o que estipula a lei», afirmou António Amaral, porta-voz do SITAVA.


Segundo o sindicalista, a entrada da Portway, empresa de handling aeroportuário, um serviço prestado em terra que até agora era assegurado exclusivamente pela SATA no aeroporto de Ponta Delgada, contraria a legislação europeia.

«Pela lei vigente, não é possível a entrada de um novo operador de handling em Ponta Delgada sem haver um despacho por parte da Região Autónoma dos Açores», assegurou.

O SITAVA equaciona ainda recorrer de novo ao tribunal caso se confirme que a Ryanair, que começa a voar para os Açores a partir do dia 01 de abril, pretende assegurar também serviço de handling no aeroporto de Ponta Delgada em vez de «autoassistência».

«Teremos de saber mais coisas relativamente à Ryanair e se houver necessidade iremos também recorrer a tribunal, já que as entidades públicas que deviam defender a região e os interesses dos trabalhadores e das empresas da região não o fazem», disse António Amaral.

O SITAVA, que na segunda-feira promoveu um plenário de trabalhadores da SATA na ilha de São Miguel, está contra a segmentação da empresa, que faz parte do Plano Estratégico 2015-2020 da companhia aérea dos Açores, porque diz que não resolve os seus principais problemas, que são, na ótica do sindicato, a gestão e a intervenção do Governo Regional em toda a política comercial.

«É notória a intervenção do Governo [dos Açores] na empresa. Em nosso entender, este é um dos grandes problemas da companhia aérea, porque não se compreende como uma empresa que depende do Governo [Regional] tenha a política de contratação de pessoal que tem tido nos últimos anos, que se deixe acumular os prejuízos que se acumularam», disse António Amaral, que criticou também os deputados do parlamento açoriano, por «só agora» terem percebido «que deviam fazer uma comissão de inquérito à empresa».