A administração do consórcio Eólicas de Portugal (ENEOP), o maior na instalação de parques eólicos, disse esta terça-feira que quer mais licenças para ampliar o parque das renováveis tendo em vista o potencial de exportação de Portugal para a Europa.

«A Península Ibérica tem de deixar de ser uma ilha energética, porque é importante a expansão através das interligações. Há que começar desde já a preparar para isso, e é importante que as renováveis não parem e, para isso, é necessário que as licenças se ponham em execução», disse João Manso Neto, que é também presidente executivo da EDP Renováveis, na Lourinhã.

«Temos mais 2000 MW [Megawatt] que seremos capazes de fazer. Falta definir o enquadramento político para novas licenças», corroborou Aníbal Fernandes, responsável pelo projeto de instalação de 1335 MW, em declarações aos jornalistas.

Ambos falavam numa cerimónia, num dos seus parques eólicos da Lourinhã, que assinalou a conclusão do projeto nacional da ENEOP, o maior consórcio a investir, nos últimos dez anos, 1623 milhões de euros em 48 parques eólicos de norte a sul do país, com uma potência de 1335 MW, e mais 223 milhões de euros em fábricas de construção e montagem de aerogeradores, em Viana do Castelo.

Os investimentos criaram 1953 novos postos de trabalho e contribuíram para a produção de 3460 gigawatts/ano, 7% da energia consumida em Portugal, o que permitiu ao país poupar 170 milhões de euros nas importações de combustíveis fósseis e gerar receitas anuais de 10 milhões de euros para os municípios.

A cerimónia foi presidida pelo ministro da Energia, Jorge Moreira da Silva, que afirmou que de 2011 até agora Portugal passou de 45% a 62% de eletricidade renovável, reduzindo a dependência energética externa de 90% em 2005 para 71% em 2014, que é, contudo, «ainda muito elevada».

Falando do que se prevê para a Europa até 2030, o governante sublinhou que as metas exigidas aos Estados-membros colocam Portugal na posição estratégica, não só por ter «os recursos mais abundantes da Europa» em matéria de renováveis, mas também de ser «um grande fornecedor de eletricidade renovável para a Europa».

Segundo o ministro, o aproveitamento das renováveis vai permitir à Europa reduzir os custos energéticos em 70 mil milhões de euros anuais.