O Presidente da República deparou-se, esta quinta-feira, com um protesto das trabalhadores da antiga Triumph, à entrada de uma escola que se preparava para visitar. Marcelo Rebelo de Sousa conversou com as manifestantes, comunicando-lhes que o Governo está a estudar uma fórmula de apoio social de emergência, para atender à sua situação. Ao mesmo tempo, referiu que essa situação não estava prevista na lei.

As funcionárias protestavam à entrada da Escola Secundária de Camarate, no concelho de Loures, onde Marcelo também foi confrontado com um protesto contra o encerramento da estação local dos CTT.

O chefe de Estado falou com os dois grupos de manifestantes e, relativamente à fábrica de roupa interior que está em processo de insolvência, com salários por pagar, disse aos trabalhadores que "a lei não previa uma situação dessas".

O Ministério [do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social], aparentemente, está a estudar uma fórmula de apoio social de emergência para preencher esse vazio".

"Havia a indefinição em relação à situação laboral, no quadro da situação geral da empresa. E, portanto, não recebiam subsídio de desemprego porque, em rigor, não eram desempregados para aquele efeito legal. Mas também não recebiam nenhum outro tipo de apoio, nem recebiam salários, desde alguns diasde novembro, cinco dias de novembro", enquadrou ainda.

Com o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, ao seu lado, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: "Aparentemente, o que está a ser estudado - mas isso terão de ver com o Governo, o Presidente sabe o que se passa, mas não decide sobre o que se passa - é, por um lado, como preencher esse vazio, nesta fase intermédia. Por outro lado, em relação ao subsídio de desemprego, penso que já estão preenchidos os requisitos ou estão a ser preenchidos os requisitos".

Bernardino Soares confirmou que "sim, já houve contactos" em relação ao subsídio de desemprego, e o Presidente da República observou: "Agora, têm de requerer para começar a receber".

"Outra questão diferente que têm de tratar com a administração judicial de insolvência é agora o que se vai passar em termos empresariais", prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa, expressando preocupação com "o número de mulheres atingidas" por esta situação.

"Embora haja homens também penalizados, a grande maioria são mulheres", notou.

Uma das trabalhadoras interpelou o Presidente da República, declarando: "Tenho 30 anos de fábrica, com 55 anos o que é que eu vou fazer? Ninguém me vai dar trabalho".

O Presidente da República pediu aos trabalhadores que lhe fizessem chegar as conclusões da reunião marcada para hoje com a administradora e justificou o facto de não os ter recebido pessoalmente no Palácio de Belém na segunda-feira, explicando que tinha exames médicos marcados para essa manhã e por isso se fez representar por duas assessoras.

Convidado a comparecer junto das instalações da fábrica, onde trabalhadores se mantêm em vigília, por turnos, declinou o convite: "Eu não queria atravessar-me no meio, eu já sou considerado com protagonismo a mais, de maneira que eu agora estar a atravessar-me numa questão que o Governo está a equacionar, percebe?".

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa conversou com os manifestantes da comissão de utentes contra o encerramento da estação local dos CTT, de quem recebeu uma carta e a quem também pediu que lhe fizessem chegar as conclusões da sua reunião com a administração da empresa, "quanto mais não seja aqui pelo presidente da Câmara".