Confederações patronais e sindicais e Governo defenderam esta quinta-feira perspetivas diferentes quanto à celebração de acordos de concertação social, com uns a apostar num acordo global ainda este ano e outros a preferir acordos parcelares.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) criticou a discussão na concertação social de matérias "de forma desarticulada" e defendeu que, para as empresas, o importante seria "um acordo global com componente laboral, económica e fiscal".

Não estamos a ver que se estejam a criar condições para se conseguir um acordo de concertação social este ano", disse o presidente da CCP, João Vieira Lopes, aos jornalistas no final de uma reunião de concertação social em que foram analisados os resultados das medidas ativas de emprego.

Para o representante patronal, "o ritmo da concertação social não é o adequado" para se chegar a um acordo.

O ministro do Trabalho assegurou que o Governo trabalhará no sentido de conseguir "todos os acordos possíveis", mas sem prazos pré-definidos.

O nosso objetivo não é conseguir um grande acordo de concertação social", mas sim conseguir "acordos sobre matérias concretas", disse, José Vieira da Silva aos jornalistas.

Para os ministros, "os acordos estão prontos quando estão" e deu prioridade a acordos sobre matérias laborais, emprego e formação profissional e competitividade.

A UGT considerou que o país precisa de um acordo tripartido e que estão a ser dados passos nesse sentido.

Relativamente à análise dos resultados das medidas ativas de emprego, que foi o principal tema em discussão pelos parceiros sociais e o governo, a presidente da UGT considerou que os objetivos não foram alcançados porque muitas empresas que beneficiaram de apoios não prestaram a formação que era devida e ficaram com trabalhadores em regime de precariedade.

Idêntica posição foi assumida pela CGTP, que prometeu enviar ao governo, até dia 1 de julho, propostas de alteração às políticas ativas de emprego que obriguem as empresas que recebem apoio do Estado com esse objetivo a criarem de facto emprego de qualidade e não emprego precário sustentado em baixos salários.

"O balanço apresentado confirma o que nós sempre dissemos, que foi investido muito dinheiro mas os resultados obtidos foram poucos", disse o secretário-geral da Intersindical, arménio Carlos.

Arménio Carlos acusou o Governo PSD/CDS de, com as medidas que aplicou, "estar mais preocupado em financiar as empresas do que em criar emprego".

"Foram quatro anos perdidos, o que não foi bom para os trabalhadores, nem para o país e nem para as empresas", disse o sindicalista.

O Governo divulgou hoje na concertação social um documento que refere que menos de metade dos jovens (38%) que em 2014 fizeram estágios financiados pelo IEFP estavam em 2015 a trabalhar, sem mais apoios do Estado, mas que apenas 16% foram contratados pela empresa onde estagiaram.

O relatório preliminar, proveniente do gabinete do ministro do Trabalho, refere que os níveis de acumulação de medidas ativas de emprego são variáveis mas mais significativos relativamente à acumulação de estágios e de apoios à contratação.

Em 2014, do total de ex-estagiários, metade foi empregada com apoio à contratação.