O Governo confirmou esta sexta-feira que há três candidatos na corrida à compra da TAP, mas não revelou quem as formalizou.

“Essas propostas foram entregues até ás 17:00, mas nós não podemos, ao abrigo dos acordos de confidencialidade que estão assinados e a até á sua admissibilidade por parte da Parpública, confirmar, nem os agrupamentos , nem a composição desses mesmos agrupamentos", afirmou o Secretário de Estado dos Transprtes, Sérgio Monteiro, em conferência de imprensa esta tarde no Ministério da Economia.


Sérgio Monteiro mostrou-se satisfeito com o facto de ter havido três propostas, apesar de todo o “ruído interno” à volta do processo.

“Estamos desde 2011 à procura que a privatização aconteça. Estamos, por isso, naquilo que esperamos ser, a fase final de um processo que é muito importante para a TAP. Por isso, este dia representa a esperança para a empresa, para os seus trabalhadores e para o país. A esperança de ver uma TAP a crescer, uma TAP com capital, uma TAP capaz de concorrer com os seus pares a nível europeu e isto, sobretudo, num momento difícil em termos de concorrência de mercado e num momento em que há muito ruído interno na mensagem relativamente à TAP. É verdadeiramente de assinalar o facto de termos três propostas concorrentes que nos permitem ter agora um ambiente competitivo no processo que se segue."


Nesta fase, Parpública tem cinco dias para avaliar as propostas financeiras em cima da mesa, sendo que a TAP fará também uma avaliação técnica das mesmas, nomeadamente os "compromissos estratégicos" assumidos pelos concorrentes, adiantou o governante.

Findo esse período, cabe ao governo estudar o relatório e com essa informação o Conselho de Ministros "terá oportunidade de decidir se avança ou não para uma segunda fase negocial", prosseguiu o secretário de Estado.

O processo, tal como o ministro da Economia já tinha adiantado, deverá estar concluído nos próximos meses. 


Os nomes de quem está na corrida

Ao que a TVI apurou, os empresários David Neeleman, German Efromovich e Miguel Pais do Amaral entregaram propostas vinculativas para a compra de parte do capital da transportadora aérea.

A proposta da Azul, cujo o fundador e presidente é David Neeleman, não vai contemplar despedimentos nem cortes salariais. Em troca, a produção da empresa terá que aumentar , tanto em horas de trabalho como em resultados.

A Azul deverá apostar em renovar a frota de aviões e criar novas rotas para outros destinos, com foco na América do Norte: poderá haver ligações para Boston, para Chicago e para o aeroporto JFK, em Nova Iorque.

O maior risco da Azul prende-se com a dívida da companhia aérea.

O empresário colombiano Germán Efromovich voltou esta sexta-feira a mostrar o seu interesse em adquirir parte da empresa portuguesa, depois da sua proposta ter sido recusada em 2012.

Pais do Amaral sempre mostrou interesse na aquisição da companhia aérea e formalizou esta tarde a sua proposta.

Segundo o caderno de encargos, o comprador tem que assegurar o reforço da capacidade económico-financeira da empresa e assumir compromissos de estabilidade laboral.

A capitalização é o primeiro de nove critérios para a escolha do futuro dono da TAP, seguido pelo valor da oferta e projeto estratégico, segundo o caderno de encargos.

O reforço da capacidade económico-financeira da TAP avalia tanto o plano de capitalização como as condições para a sua concretização.

O valor oferecido pelo capital a alienar pelo Estado, num limite máximo de 66% nesta primeira fase, surge em segundo lugar no artigo 5.º do documento, aparecendo depois a "apresentação e garantia de execução de um adequado e coerente projeto estratégico, tendo em vista a preservação e promoção do crescimento da TAP".

Além de ter que capitalizar a empresa, o comprador assume uma dívida remunerada superior a 1.000 milhões de euros, de acordo com o relatório e contas de 2014.
 



Os grandes números da TAP: a dívida

A dívida da TAP é provavelmente o indicador que mais preocupa os investidores. No final de 2014, a dívida remunerada totalizava os 1.062 milhões de euros. Ainda mais preocupante é o facto de uma grande parte da dívida bancária ser composta por empréstimos de curto prazo.

Os últimos resultados conhecidos não são o melhor cartão-de-visita: o grupo fechou 2014 com prejuízos de 85,1 milhões de euros, valor que representa um agravamento de 79,2 milhões de euros face aos 5,9 milhões de euros registados em 2013, penalizado pelo negócio do transporte aéreo (TAP SA).

No último ano, a companhia aérea passou de um lucro de 34 milhões de euros para prejuízos de 46,4 milhões de euros, que explica com a entrada tardia em operação de seis novos aviões e pelos 22 dias de greve (anunciadas ou efetuadas e outras ocorrências operacionais, nomeadamente problemas técnicos).

Já a TAP – Manutenção e Engenharia Brasil registou um prejuízo de 22,6 milhões de euros, uma melhoria em 17,7 milhões de euros face ao ano anterior (45%), naquele que é o quarto ano de um plano de reestruturação da empresa que historicamente é a responsável pelos prejuízos do grupo.

No ano em que o Governo relançou a privatização do grupo liderado por Fernando Pinto, os ativos a alienar desvalorizaram para 1.560 milhões de euros, que compara com 1.695 milhões de euros no ano anterior.

No mesmo período, o passivo aumentou ligeiramente para 2.072 milhões de euros, o que agrava os capitais próprios do grupo para mais de 500 milhões de euros negativos, quando há um ano ficavam abaixo dos 400 milhões de euros.


O universo dos trabalhadores

O grupo TAP emprega 10.461 pessoas, sem incluir os trabalhadores da Cateringpor, das Lojas Francas e da Manutenção e Engenharia Brasil.

Cerca de um quarto dos trabalhadores do grupo é pessoal navegante comercial, isto é, assistentes e comissários de bordo, totalizando 2.588 pessoas nesta categoria profissional. Ainda na categoria de pessoal navegante, o grupo conta com 939 pilotos.

Em terra, o negócio da aviação conta com mais 975 trabalhadores, totalizando a principal área de negócio do grupo 4.502 pessoas.

A Manutenção & Engenharia também é um dos grandes empregadores, com 1.872 funcionários dedicados à manutenção dos aviões da TAP e dos de outras companhias.


Outras atividades para além da aviação

O grupo TAP detém 100% da TAP SA, isto é, do negócio da aviação (TAP e Portugália Airlines), mas inclui outros negócios complementares como o do ‘catering’ e dos cuidados de saúde para os seus funcionários.

As duas companhias – TAP e PGA - detêm em conjunto 49,9% da Groundforce, empresa de ‘handling’ (assistência em terra), em parceria com o grupo Urbanos, dono da maioria do capital.

Através da TAPGes, gestora de participações, o grupo tem 51% da Cateringpor - Catering de Portugal, 51% das lojas francas (nos aeroportos), 100% da Megasis e 100% da Unidade de Cuidados de Saúde (UCS).

A TAP é ainda proprietária da TAP Manutenção e Engenharia (em Portugal) e da TAP Manutenção e Engenharia Brasil (98,64%).


Operação na aviação

No último ano, a TAP aumentou em 6,6% o volume de passageiros transportados, chegando ao número recorde de 11,4 milhões, mais 711 mil passageiros do que em 2013.

A rede da TAP cobre 82 destinos em 35 países a nível mundial e opera, em média, cerca de 2.500 voos por semana.

O grupo dispõe de uma frota com 77 aviões, dos quais 61 aviões de fabrico Airbus, mais 16 ao serviço da PGA, sua companhia regional (6 Fokker, 8 Embraer e 2 ATR). A companhia tem um contrato de aquisição de 12 novos aviões à Airbus.