O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) anunciou que 90% dos pilotos quer aderir à greve, considerando que é um reflexo do sentimento de revolta dos trabalhadores. 

Em comunicado, a direção do SPAC congratulou-se "pelo número crescente de pilotos que estão a aderir aos propósitos que motivam a greve decidida em assembleia", realçando que "a dimensão desta greve é um reflexo do sentimento de revolta que o Governo e a administração do grupo têm infligido aos pilotos e aos restantes trabalhadores". 

Mais, o SPAC acusa a TAP e o Governo de procurarem "desesperadamente fabricar e fomentar cisões imaginárias no seio dos pilotos com o propósito de os demover da defesa dos seus legítimos interesses estratégicos". 

"À semelhança do passado, estas manobras não irão ter sucesso", alerta a direção do SPAC. 


A estimativa de adesão à greve resulta "da amostra significativa dos pilotos, que é a assembleia que deliberou a greve", existindo ainda a expectativa que "a adesão vai aumentar nos próximos dias e até à realização da greve". 

Ainda no comunicado, "os pilotos e o SPAC devolvem ao senhor ministro o pedido humilde para que o Governo e a TAP honrem os compromissos que assumiram". 

As palavras do sindicato surgem depois de esta manhã o «Diário de Notícias» ter noticiado que  cerca de 30% dos pilotos não encontram fundamento para o protesto aprovado na reunião do dia 15, em defesa de garantias laborais perdidas durante a crise.

«Estamos longe da unanimidade de outros tempos», garantiu ao jornal uma fonte próxima do processo, acrescentando ainda que muitos pilotos estão inclinados a «deixar o SPAC».

Os pilotos da TAP marcaram uma greve, entre 1 e 10 de maio, por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, nem um outro, estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação no capital da empresa no âmbito da privatização. 

Em entrevista à TVI, o presidente da transportadora aérea, Fernando Pinto, alertou que os riscos da paralisação «não estão a ser bem medidos».  

A TAP já avançou que esta paralisação de dez dias  pode vir a custar 70 milhões de euros. No entanto, esta greve não reflete só perdas para a companhia aérea. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) avisou que o anúncio da paralisação já está a provocar o cancelamento de reservas.