O presidente executivo do Millennium BCP reconhece que o atual momento é difícil para alguns negócios em Moçambique devido às altas taxas de juro, mas confia na normalização da política monetária.

Entendo as dificuldades de curto prazo, com taxas de juro tão altas. [Trata-se de] uma fase da política monetária".

Em Maputo, durante o Fórum Mozefo, ciclo de conferências promovido pelo grupo de comunicação social Soico, Nuno Amado disse, segundo a Lusa, que espera e que "todos os moçambicanos esperam, que com a normalização" da política monetária "também depois haja uma normalização gradual das taxas de juro".

Nós estamos confiantes que isso vai acontecer, sabendo que esta é uma fase difícil".

O Banco de Moçambique anunciou hoje uma descida de 0,25% na ‘prime rate´ moçambicana para dezembro, que ainda assim estará em 27,25%, o que fecha a porta a muitos projetos que precisam de crédito bancário, mas que não têm margem para pagar juros a uma taxa tão alta.

O Millenium BCP é o acionista de referência do Millenium BIM, principal banco comercial moçambicano.

Como orador num dos painéis do Fórum Mozefo, que este ano debate a sociedade do conhecimento como fator de desenvolvimento, Nuno Amado foi confrontado com a questão dos juros altos.

Na resposta, mostrou-se confiante nos passos que estão a ser dados com vista a uma melhoria das condições de crédito e apontou dificuldades passadas no Brasil e em Portugal como exemplos de resiliência das empresas.

"Não tenho dúvidas que as medidas que foram tomadas" pelas autoridades moçambicanas "aparentemente controlaram a inflação", que se aproxima dos 10%, depois de em 2016 ter chegado a 25%.

As mesmas medidas "controlaram também a desvalorização cambial" e "agora, como com todas as medidas, há que levá-las progressivamente para uma normalização".

Nós, no BIM, temos uma perspetiva de curto e longo prazo, sabemos que estamos numa fase difícil, mas sabemos que virão seguramente fases mais ajustadas em termos das condições de financiamento".

Partilhando o palco com um empresário brasileiro, recordou que aquele país "conviveu durante um período com taxas de juro muito elevadas e as empresas adaptaram-se".

A situação teve "efeitos colaterais", como "em Portugal também teve" com o conjunto de "medidas que se tomou, mas as empresas adaptam-se, evoluem progridem e acho que é isso que vai acontecer no futuro", concluiu.