Os acionistas do BPI já deram luz verde à desblindagem dos estatutos que permite o avanço da oferta do CaixaBank sobre a instituição liderada pro Fernando Ulrich.

Ao que apurou a TVI, a acionista Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, que detém quase 19% do capital, absteve-se na votação. Mas a administração/ gestão do banco recusa que a opção de voto da acionista angolana esteja relacionada com a proposta que fizeram à Unitel - o BPI deixa o controlo do Banco de Fomento de Angola.

Era uma situação imperiosa para o BCE- Banco Central Europeu - [deixar de consolidar o banco angolano do qual detém a maioria do capital] e a desblindagem foi uma exigência do BCE", disse o presidente executivo Fernando Ulrich, aos jornalistas.

Tal como já esperado, à terceira e na segunda sequela da assembleia-geral, foi finalmente possível aprovar a desblindagem de estatutos do BPI, fundamental para que o processo da Oferta Pública de Aquisição (OPA) do CaixaBank atualmente com quase 45% do capital, siga.

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Depois em entrevista de Tiago Violas Ferreira, administrador do grupo Violas, que através da Violas Ferreira detém quase 3% do capital do banco, ter assumido que não continuariam a bloquear o processo em prol do futuro do banco, ontem foi a vez de a administração dar mais um passo para desbloquear a situação. 

Em comunicado, a administração do BPI comunicou que enviou para Luanda uma proposta que permite resolver o impasse da desblindagem de estatutos e o problema da exposição excessiva a Angola. O BPI propõe ceder controlo do BFA - Banco Fomento de Angola a Isabel dos Santos em troca da desblindagem de estatutos.

Atualmente, o BPI detém 50,1% do capital do BFA, enquanto a Unitel é dona de 49,9%. Com esta proposta o BPI quer resolver, de uma vez por todas, a exposição do BPI ao risco em Angola. Uma exposição que tem sido alvo de "puxões de orelhas" do Banco Central Europeu (BCE) que quer que o banco português não ultrapasse os níveis de exposição impostos por Bruxelas.

BCE determinante na desblindagem

Uma coisa levou à outra? A administração o banco diz que não. Em conferência de imprensa, o presidente da instituição financeira, Artur Santos Silva, recusa a ligação entre a proposta que fizeram à Unitel e o fato de ter sido possível desblindar, finalmente, os estatutos para que a compra do CaixaBank avance.

"O BPI não tinha alternativa face à posição do BCE", assegurou Santos Silva. O banqueiro garantiu que tiveram indicação do regulador europeu de que o "assunto tinha que ser resolvido hoje" ou as consequências seriam "indesejáveis".

Se a proposta, feita a Luanda, avançar o BPI deixa de consolidar o BFA nas contas, reduzindo a exposição ao risco e há uma alteração do acordo acionista, com o banco a deixar de estar na gestão, ou cogestão, da instituição angolana. Tudo exigências o BCE.

Santos Silva diz-se confiante que os angolanos vão aceitar a proposta da administração.

O CaixaBank lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) a 1,113 euros por ação, mas era preciso desblindar os estatutos para pôr fim ao limite de votos de 20% - mesmo que um acionista tivesse mais capital só votava com esse limite.

O presidente do banco recorda que, com a desblindagem aprovada - o CaixaBank terá até ao final de outubro, por indicação do BCE, para cumprir oferta. Até ao final de janeiro, o banqueiro ambiciona que desapareça o problema BFA.