O presidente executivo da TAP, Fernando Pinto, afirmou hoje no parlamento que passou a liderar o Conselho de Administração (CA) da TAP, sucedendo a Humberto Pedrosa, na sequência de alterações para ir ao encontro das dúvidas do regulador.

"Quem manda [na TAP] é o CA. Voltei a ser presidente do CA num conselho reduzido a três elementos: eu, David Pedrosa [filho do acionista português Humberto Pedrosa] e Trey Urbahn [em representação do empresário norte-americano David Neeleman]", afirmou o gestor na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, onde está a ser ouvido por requerimento do Bloco de Esquerda (BE), citado pela Lusa.

Face ao desenho inicial, o CA foi reduzido de cinco para três elementos, com a saída dos acionistas Humberto Pedrosa, que era o presidente, e David Neeleman.

Em resposta ao deputado do PSD Emídio Guerreiro sobre quem manda neste momento na TAP, Fernando Pinto deixou claro que o CA é "autónomo", admitindo que "muitas pessoas acham que se ele [David Neeleman] tem uma ideia é para fazer".

Admitindo que "David Neeleman tem excelentes ideias", o gestor realçou que têm que passar pelo CA para serem implementadas.

"Foi uma coisa que ficou claro. Eu não aceito de outra forma. Não estou há 42 anos no transporte aéreo só para atender ao que me pedem. Eu não fazia isso com o governo, por isso...", declarou o gestor.

Na semana passada, o presidente da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), Luís Ribeiro, afirmou também no parlamento que pelo menos até 01 de junho, data da notificação de alterações ao consórcio Atlantic Gateway, o controlo efetivo da TAP estava nas mãos de David Neeleman.

O CA da TAP foi reformulado para responder às duvidas levantadas pela ANAC sobre o controlo da companhia aérea.

A ANAC recomeçou no início de junho a avaliar quem tem o controlo efetivo do consórcio Gateway na compra de 61% da TAP, negócio feito pelo governo anterior e renegociado pelo executivo de António Costa para um máximo de 50%.

Luís Ribeiro explicou que a ANAC está ainda a analisar o cumprimento do regulamento comunitário pelo negócio fechado pelo governo de Passos Coelho e não o acordo celebrado, em maio, pelo executivo de António Costa, que reduziu a participação privada para 45% (no máximo 50% se trabalhadores não comprarem os 5% que lhes está reservado), em vez dos 61% vendidos em novembro de 2015.

"O que está a ser analisado é a operação de 25 de novembro e que agora foi objeto de uma nova notificação. Está a analisar esta, porque é a única que existe", disse o presidente da ANAC.

Hoje, Fernando Pinto explicou que "faz sentido aprovar uma realidade que não vai acontecer", isto é, a ANAC pronunciar-se sobre a venda de 61% da TAP, quando essa realidade foi alterada pelo atual Governo.

"Se não for apreciada a primeira privatização, a segunda não pode avançar. Tem que se aprovar a primeira etapa para depois se poder seguir para a outra. É um processo complexo", acrescentou.