O Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, desvalorizou a ligeira subida mensal do desemprego registado, por se tratar de um movimento habitual no primeiro mês do ano, destacando a queda homóloga e consistente deste indicador.

Segundo dados divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados inscritos nos centros de emprego baixou 16% em janeiro, face a igual mês de 2017, para 415.539 pessoas, subindo 2,9% (11.768) face ao mês anterior.

Este acréscimo em cadeia no arranque de 2018, correspondente a 11,8 mil pessoas, é, segundo o governante, habitual no primeiro mês do ano e maioritariamente explicado pela entrada de pessoas à procura de novo emprego (2,6% no correspondente a 9,3 mil pessoas) e com mais de 25 anos (2,9% no correspondente a 10,5 mil pessoas).

"[A descida mensal de janeiro] é um dado constante em todos os anos, o que importa é a comparação com o mês homólogo, com o mesmo mês do ano anterior, e aí continuamos com valores muito sólidos de descida", disse o ministro aos jornalistas após ter presidido ao encerramento da apresentação do estudo "O Sector dos Serviços e os desafios da Segurança Social".

De acordo com os dados disponíveis na página do IEFP, para a diminuição do desemprego registado, face ao mês homólogo de 2017, contribuíram todos os grupos de desempregados, com destaque para os homens (menos 18,9%), os adultos com idades iguais ou superiores a 25 anos (menos 15,5%), os inscritos há mais de um ano (menos 17%), os que procuravam novo emprego (menos 16%) e os que possuem como habilitação escolar o 1.º ciclo do ensino básico (menos 19,5%).

Segundo o IEFP, o desemprego afetava em dezembro 46.843 jovens, o que representa uma redução homóloga de 19,7% e um aumento em termos mensais de 5,5%.

Fontes de financiamento da Segurança Social 

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, manifestou hoje reservas relativamente à diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social proposta num estudo da CCP hoje divulgado.

O estudo “O Setor dos Serviços e os Desafios da Segurança Social”, elaborado pelo economista e antigo dirigente da direção-geral de Emprego da Comissão Europeia, Armindo Silva, e hoje apresentado pela Confederação dos Serviços e Comércio de Portugal (CCP) defende que a Segurança Social deve ter um modelo de financiamento alternativo que passa por mexidas na TSU e pelo alargamento da base de incidência contributiva ao Valor Acrescentado Líquido (VAL).

“Tenho dúvidas sobre a diversificação das fontes de financiamento”, disse o ministro, sublinhando, no entanto, que o estudo realizado é um “contributo importante” numa perspetiva de longo prazo.

No documento, o economista defende que um dos principais problemas do financiamento da Segurança Social assenta no facto de a Taxa Social Única (TSU) incidir apenas na massa salarial, afetando a criação de emprego, e sobretudo setores de mão de obra intensiva, como é o caso dos serviços.

Propõe, por isso, quatro modelos alternativos de financiamento, três dos quais têm por base mexidas na TSU, numa altura em que os parceiros sociais discutem uma eventual diferenciação da taxa a pagar pelo empregador por tipo de contrato, no âmbito do combate à precariedade.

"Tenho algumas dúvidas sobre o efeito que uma diversificação dessa natureza poderia ter, penalizando empresas mais inovadoras, mais apostadas nas mudanças tecnológicas e que não deixam por isso mesmo de criar emprego. Se não criam diretamente, podem criá-lo indiretamente”, disse o ministro, no evento de apresentação do estudo.

Em todo o caso, continuou, essa diversificação das fontes de financiamento é algo que o Governo também defende “e aliás já começou a concretizar, do ponto de vista conceptual”.

“Diversificar fontes não é pensar uma resposta de curto prazo”, sublinhou Vieira da Silva.