Pouco a pouco, sela-se o destino do que foi em tempos a Moviflor. Depois da insolvência, declarada em novembro, o recheio das lojas, material de armazém, camiões e empilhadores, tudo foi a leilão, para ajudar a pagar as dívidas deixadas pela empresa.
 
O leilão decorreu esta sexta-feira, num armazém às portas de Lisboa. Os compradores eram pouco ais de duas dezenas, mas alguns fizeram bons negócios.
 
Foi o caso de Jorge Pacheco. Vive disto, de comprar material de empresas falidas, para revender, e nos últimos anos não tem tido mãos a medir. «O leilão correu-me bem, comprei a loja do Porto, um atrelado e um camião. Gastei o que estava previsto, 50 a 60 mil euros», explica. O negócio é simples. «Compro de tudo, tudo o que for leilão, vou ver e compro o que aparecer». Depois, é vender, mais caro. «Espero que sim, é essa a ideia», brinca.
 
Das 17 lojas cujo recheio estava para venda, praticamente metade foram rematadas por António Mendes. Está ligado a empresas do ramo do mobiliário, que operam no estrangeiro. «A maior parte do material é para exportação. Estamos a fazer as aquisições e depois vamos mandar o material para as nossas empresas no exterior», explicou. Neste leilão, António Mendes gastou cerca de 100 mil euros.
 
Leilão rendeu 329 mil euros, dívidas são de 135 mihões
 
No final do leilão, quem comprou estava mais satisfeito do que quem vendeu. «Dentro do mal, acho que correu bem», resumiu Cláudio Ranito, leiloeiro da LC Premium. «O valor base era de 285.150 euros, realizámos 329 mil euros, acho que foi bom».
 
Também Lídia Oliveira, que representa os trabalhadores na assembleia da credores da antiga Moviflor, diz que é o balanço possível. «Apesar de ser deprimente ver a Moviflor ser vendida assim, dentro das nossas perspetivas de um leilão, acho que superou as expetativas».
 
O dinheiro é agora depositado na conta da massa insolvente, e há-de servir para pagar parte das dívidas deixadas pela empresa falida. Só que os 329 mil euros são uma gota de água, num oceano de dívidas que ascendem a 135 milhões de euros. Do Fisco à Segurança Social, de uma longa lista de bancos a fornecedores, há dívidas a dezenas de entidades. Só os trabalhadores, reclamam quase 15 milhões de euros em salários, subsídios e indemnizações.
 
Imóveis também ainda podem render algum dinheiro
 
«Não é com o leilão dos móveis que se vai realizar dinheiro para pagar as dívidas. Contamos com os imóveis», disse Lídia Oliveira. Da lista, só dois imóveis são propriedade da Moviflor: as lojas do Porto e de Viseu, que serão ainda vendidas. Das restantes, algumas são arrendadas, outras têm contratos de locação, que podem render ainda algum dinheiro.
 
«Tanto quanto nos é dito, temos prioridade a receber os pagamentos, mesmo em relação ao Estado e à banca», assegura. Mas o dinheiro não chega, nunca vai chegar e Lídia Oliveira sabe que ainda vai demorar muito tempo até que os trabalhadores recebam algum dinheiro. «Estou a contar com anos. A nossa maior esperança agora é o Fundo de Garantia Salarial», explicou.
 
Marca Moviflor foi comprada por empresa familiar de Aveiro
 
A Moviflor, como os portugueses a conheciam, acabou, mas a marca vai afinal voltar. É que a leilão esta sexta-feira foram também a marca e o logótipo da Moviflor, rematados por um empresário de Aveiro, por menos de dez mil euros.
 
«Comprámos a marca, agora vamos ver o que vamos fazer com ela. É uma marca nacional, que toda a gente conhece e criar uma marca assim custa muito dinheiro», explica José Manuel Reis. Tem uma empresa familiar de distribuição de materiais de construção, a Armazéns Reis SA, e veio à procura do que faltava.
 
«Uma marca assim enquadra-se na nossa estratégia. O nosso lema é tudo para o lar, faltava-nos a parte de decoração e mobiliário. Esta marca é enquadra-se na nossa estratégia. Agora é preciso reativá-la, dar-lhe uma nova roupagem e está aqui uma nova oportunidade de negócio».
 
Resta saber como e quando será lançado o negócio, que vai relançar a marca Moviflor.