O presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, realçou este sábado que a oferta pública de aquisição (OPA) lançada sobre o BPI é um «passo em frente» numa relação duradoura entre as partes e quer desblindagem decidida no segundo trimestre.

O responsável considerou que a oferta que o banco catalão concretizou para passar a controlar a maioria do capital do BPI, onde já é o maior acionista, com 44,1%, significa «dar um passo em frente numa relação que dura há 20 anos».

Em entrevista ao semanário Expresso, Gortázar disse esperar que a assembleia geral de acionistas onde será decidida a desblindagem dos estatutos do banco português - etapa decisiva para o sucesso da operação - aconteça no segundo trimestre.

Admitindo a complexidade da operação, já que depende da vontade dos acionistas de referência do BPI, com destaque para os 18,6% detidos pela holding da empresária angolana Isabel dos Santos, de aprovarem o fim dos limites aos direitos de voto (que estão limitados aos 20%), o líder do CaixaBank acena com uma «proposta atraente para os que quiserem sair do BPI, mas também para os que quiserem ficar».

Até porque, bastam 6% para que o CaixaBank fique a deter a maioria do capital do banco liderado por Fernando Ulrich, uma posição de controlo que só será efetiva com a desblindagem dos estatutos do BPI.

«Estamos a pedir duas coisas aos acionistas: que removam os limites aos direitos de voto, o que permitirá a obtenção de sinergias, e que vendam - ou mantenham - as ações, condicionando a que consigamos mais cerca de 6% de capital para ter a maioria, de forma a levar a OPA por diante», afirmou ao Expresso.


E realçou: «Este é um projeto em que todos ganham, mas temos que respeitar o tempo que os acionistas precisarão para decidir, tal como a administração do BPI».

A redução de custos e a melhoria da eficiência do BPI são os dois grandes objetivos do CaixaBank neste negócio.

«O nosso objetivo é reduzir o rácio 'cost to income' [eficiência] do BPI em Portugal dos atuais 85% para 50% em três anos», revelou.


Mesmo manifestando «esperança» num desfecho favorável da OPA, o responsável não dá o sucesso da operação por garantido.

«É preciso um apoio muito largo dos acionistas e não podemos antecipar o que vai ser decidido na assembleia geral. O tempo o dirá», frisou.

Gortázar apoia o interesse manifestado pelo BPI no concurso de compra do Novo Bano, considerando que «é uma grande oportunidade de consolidação no mercado português», e admitiu que a gestão de Ulrich foi encorajada pelo seu maior acionista a participar no processo.

«Não seria lógico que o BPI não analisasse esta operação», salientou o líder do CaixaBank, que nos últimos anos participou, sem sucesso, nas privatizações da Catalunya Caixa e da Novagalicia, mas que conseguiu sair vencedor na compra do Banco de Valencia e dos ativos do Barclays em Espanha.

O responsável elogiou, ainda, a forte aposta feita pelo BPI no mercado angolano, considerando que tem sido um «investimento fantástico», e vincou que o preço que oferece na OPA sobre o banco português é muito generosa.

O CaixaBank anunciou na terça-feira a intenção de adquirir a maioria do capital do BPI por 1,329 euros por ação, num total de 1,082 mil milhões de euros.

O banco catalão é o maior acionista do BPI, contando com quatro membros no Conselho de Administração do banco português, seguindo-se a empresária angolana Isabel dos Santos, através da Santoro, com 18,6%, e o Grupo Allianz, com 8,4%.