O secretário de Estado dos Assuntos Europeus de Itália insistiu esta quinta-feira na necessidade de a zona euro avançar rapidamente para um sistema comum de garantia dos depósitos bancários, mas assegurou que a banca italiana "está sólida".

Sandro Gozi reuniu-se hoje em Lisboa com elementos da comissão parlamentar dos Assuntos Europeus, numa altura em que a banca italiana está sob forte pressão dos mercados.

"O sistema bancário italiano é sólido e isso não nos preocupa, mas pensamos que a zona euro, como um todo, precisa desse instrumento para gerir a situação económica e financeira", disse o governante à agência Lusa após a reunião.

"Acreditamos que a união bancária é uma parte fundamental da governação do euro e pensamos que tem de ser completada com a introdução de um sistema comum de garantias de depósitos bancários. Devemos fazê-lo muito rapidamente para dar um passo importante para a finalização da zona euro", afirmou.


A criação de um esquema de garantia de depósitos comum é a terceira perna da União Bancária, após a supervisão dos maiores bancos da zona euro passar para o Banco Central Europeu e de ter igualmente entrado em pleno vigor este ano um mecanismo comum para a resolução de bancos na zona euro.

Este terceiro pilar tem enfrentado resistência de alguns países, em especial da Alemanha, que quer assegurar que os seus contribuintes não chamados a pagar as contas com falências de bancos noutros países.

Sandro Gozi defendeu por outro lado uma Europa a duas velocidades, em que alguns membros da zona euro, designadamente as economias mais fortes, como Itália, aprofundam mais a integração que outros, as economias mais débeis, como Portugal.

"Sim, a nossa perspetiva é que a União do futuro será cada vez mais diferenciada, sendo que hoje ela já é diferenciada, não apenas entre aqueles que são membros da zona euro, aqueles que ainda não são membros da zona euro mas vão ser um dia e aqueles que decidiram ficar de fora", disse.

"Na zona euro, devemos avançar para uma união política, económica e orçamental, objetivo que já identificámos no 'relatório dos cinco presidentes' e devemos agora começar a debater para podermos dar este passo em 2017", ano em que se assinalam os 60 anos do Tratado de Roma.


O relatório, divulgado em junho de 2015, é da responsabilidade dos presidentes da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do Eurogrupo, do Banco Central Europeu e do Parlamento Europeu.

Defende, entre outras medidas, um Conselho Orçamental Europeu, um Fundo de Estabilização Orçamental para a área do euro, um Sistema Europeu de Seguros de Depósitos comum e um Tesouro da área do euro.