Apesar de, já na altura, o Grupo Espírito Santo apresentar dificuldades financeiras evidentes, a gestão do Montepio aprovou, pelo menos, duas operações de financiamento ao GES durante o primeiro semestre de 2014. O na altura administrador do banco, Tomás Correia (agora presidente da associação mutualista) e oito ex-gestores do Montepio acabam de ser acusados pelo Banco de Portugal a esse propósito, depois de realizada uma auditoria forense, em 2014, que foi concluída já em abril de 2015.

Em causa estão, segundo noticia hoje o Jornal de Negócios, várias contra-ordenações especialmente graves: violação das regras de concessão de crédito, em termos de análise de risco, irregularidades ao níel do controlo interno, infracção a normas e limites no financiamento a partes relacionadas.

Foram aprovadas por Tomás Correia pelo menos duas operações de financiamento que tiveram consequências para a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). O beneficiário foi Paulo Jorge Guilherme, filho do construtor José Guilherme, que obteve o crédito através do Finibanco Angola, para adquirir unidades de participação do Fundo de Participação da CEMG. Isso aconteceu já depois de as sociedades do universo Espírito Santo, encabeçado por Ricardo Salgado, terem pedido a proteção de credores. 

A caixa económica teve registar imparidades extraordinárias, nas contas desse ano, no valor de 140 milhões de euros, tendo apresentado, no fim de contas, prejuízos de 187 milhões de euros. 

Os gestores foram noficiados na primeira semana de março e têm 30 dias para apresentar a sua defesa ao supervisor. Arriscam pagar coimas que podem chegar a quatro milhões de euros.

Também a caixa económica arrisca pagar 10 milhões de euros por contra-ordenações especialmente graves.

Todas as infrações foram cometidas antes de 2015, isto é, antes de a atual administração, liderada por José Félix Morgado, ter tomado posse. 

Este é já o segundo processo de contra-ordenação do Banco de Portugal tendo como visados Tomás Correia e José Almeida Serra, antigo presidente do conselho geral e de supervisão da CEMG, e a própria instituição financeira. O primeiro processo versava sobre a falta de mecanismos de controlo de operações de branqueamento de capitais.