Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas, afirmou esta quarta-feira que o Governo não considerou a reversão do processo de privatização da CP Carga, realçando que a empresa de transporte de mercadorias tem acumulado défices operacionais.

"A situação [da CP Carga] era de manutenção de défices operacionais e seria uma realidade se não fosse feita qualquer evolução futura", disse Pedro Marques na comissão de Economia.

Ao final do dia desta quarta-feira será concluída a venda de 95% do capital da CP Carga à operadora ferroviária suíça MSC. A cerimónia à porta fechada acontece quatro meses depois de o anterior governo PSD/CDS-PP ter assinado o acordo para a venda da CP Carga.

Questionado pelo deputado do PCP, Bruno Dias, sobre a venda por dois milhões de euros de uma empresa que acaba de ser capitalizada em mais de 116 milhões de euros, Pedro Marques adiantou que o peso da ferrovia no transporte de mercadorias se manteve estagnado “na ordem dos 4%”.

"Acreditamos que a MSC é um grande operador e podemos acreditar num desenvolvimento maior do transporte ferroviário de mercadorias", acrescentou o ministro e assegurou que a privatização da empresa "não contempla qualquer redução de trabalhadores nem qualquer redução dos percursos servidos".

Na terça-feira, a CP informou que "a proposta vencedora e selecionada contém um plano estratégico de expansão da atividade da empresa, o que, no seu entender, confere o conforto necessário quanto ao futuro dos atuais trabalhadores da CP Carga".

Os trabalhadores da CP Carga têm-se manifestado contra a conclusão do processo de privatização e convocaram uma greve para o próximo dia 28. A ação de protesto vai ter início na Avenida da República e terminará no Ministério do Planeamento e Infraestruturas, que tem a tutela da empresa.