As despesas com os incêndios não serão tidas em linha de conta para o cumprimento das metas do défice português.  O anúncio foi feito por Pierre Moscovici, o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, no Parlamento Europeu.

Moscovici considera  que as despesas que Portugal tiver com incêndios serão extraordinárias e, por isso, não serão consideradas quando a Comissão Europeia avaliar o cumprimento das metas do défice.

O regime a aplicar aos incêndios em Portugal será semelhante ao que foi aplicado a Itália quando ocorreu o tremor de terra de Amatrice.

Ou seja, as verbas gastas com a tragédia contam para o défice, mas não são tidas em conta na avaliação orçamental de Bruxelas.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse esta quarta-feira que o levantamento dos prejuízos causados pelos incêndios que deflagraram domingo, atingindo vários concelhos da região Norte e Centro, deverá estar concluído dentro de “duas a três semanas”. Mas o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, já afirmou que os prejuízos nos incêndios de domingo e segunda-feira devem superar os registados no fogo de Pedrógão Grande.

Em Julho, depois de Pedrogão, as contas do Governo apontavam para prejuízos de mais de 500 milhões de euros. Valor que se divide entre 200 milhões de prejuízos e mais uma estimativa de 300 milhões para medidas de prevenção e relançamento da economia.

As últimas previsões do Governo, que constam da proposta de Orçamento do Estado para 2018, apontam para um défice de 1,4% em 2017 e de 1% no próximo ano.