Associação de Lesados de Papel Comercial (AIEPC) do Grupo Espírito Santo (GES) ameaça realizar novos protestos em março se o Banco de Portugal recusar sentar-se à mesa para negociar uma “solução justa e equitativa” para os lesados.

“Os protestos podem recomeçar daqui a 15 dias e serão mais dirigidos ao Banco de Portugal e aos [eventuais] compradores do Novo Banco”, como os bancos Santander Totta, o BBVA, La Caixa e Popular, disse o presidente da AIEPC, Ricardo Ângelo, à Lusa.

Uma reunião entre o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e um representante do Governo para debater o problema dos lesados do papel comercial do GES está marcada para esta tarde, mas sem a presença dos representantes dos lesados, de acordo com Ricardo Ângelo.

O presidente da AIEPC disse que a reunião de hoje traduz “o princípio de um consenso entre as entidades públicas” para, de uma vez por todas, resolverem o problema dos lesados, que aguarda resposta há mais de um ano.

“A solução não vai ser hoje negociada, mas apenas os trâmites”, disse o mesmo responsável, acrescentando: “Posso garantir-lhe que não existirá nenhuma negociação sem todas as partes estarem presentes na reunião, o que engloba o BES, o Novo Banco, a AIEPC, o Governo, Banco de Portugal e a CMVM”.

Ricardo Ângelo insistiu que a reunião de hoje é apenas “preliminar” e com o objetivo de definir “uma base” sobre o procedimento que se vai tomar a seguir, e defendeu que os lesados não vão conformar-se com qualquer decisão.

“Não aceitamos uma única solução que tenha grandes perdas. A solução tem de ser justa, equitativa e [fazer com] que os lesados se sintam recompensados. Estamos abertos a falar de prazos, formas de pagamento, a tudo. Esta é a base da negociação e os protestos vão continuar se não for encontrada uma solução justa e equitativa”, afirmou o presidente da associação.

Ricardo Ângelo disse ainda que os lesados concordam e reiteram “a força” que o primeiro-ministro, António Costa, tem feito sobre o problema dos lesados do GES e considerou “inaceitável a desconsideração pelos cidadãos” por parte do Banco de Portugal.

Na sua opinião, esta desconsideração existiu devido a uma falha de regulação crítica, porque chegou ao retalho (venda a clientes) um produto (papel comercial) que já estava falido e se baseava em contas falsas: “O regulador falhou por passividade e falta de fiscalização”, defendeu.

Desde que o Banco Espírito Santo (BES) foi alvo de uma medida de resolução, no verão de 2014, que clientes do retalho detentores de papel comercial do GES, que compraram os títulos aos balcões do BES, têm vindo a desenvolver várias ações com vista a recuperar o dinheiro investido.

De acordo com as informações recolhidas pela Lusa, são atualmente 2.040 os subscritores de papel comercial que reclamam cerca de 400 milhões de euros.