No final do ano passado, o BCE e os bancos centrais da zona euro tinham mais de 18 mil milhões de euros de dívida grega.
 
No ano passado, o BCE registou ganhos com os juros da dívida grega de 298 milhões de euros.

Na lista divulgada esta quinta-feira, para além da dívida grega, constam 14,3 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa e pouco mais de nove mil milhões de euros de obrigações irlandesas.

Queda dos juros penaliza resultados do BCE

O Banco Central Europeu (BCE) obteve resultados líquidos de 989 milhões de euros em 2014, menos 31,3% que em 2013, devido à quebra do rendimento com juros e ao aumento das despesas de funcionamento, foi hoje anunciado.

Segundo a Lusa, num comunicado hoje divulgado, o BCE informa que a redução dos resultados líquidos, que tinham sido de 1,44 mil milhões em 2013, resultou principalmente do «baixo rendimento dos juros das notas (em circulação), de uma descida do rendimento líquido do Securities Markets Programme (SMP) devido a reembolsos e do aumento das despesas de funcionamento».

O banco central obtém rendimento com o investimento em reservas em ativos estrangeiros, com a própria carteira de fundos, com juros de 8% das notas em circulação (que detém) e com juros resultantes dos títulos que detém.

No conjunto, o rendimento líquido total com juros caiu para 1.536 mil milhões de euros em 2014, contra 2.005 mil milhões em 2013, refere o BCE.

Uma parte substancial do rendimento de juros resulta do programa SMP (Securities Markets Programme) - um controverso esquema para comprar os títulos de países que enfrentam dificuldades em se financiar nos mercados.

Mas o rendimento líquido de juros resultantes do SMP desceu para 728 milhões de euros em 2014, contra 962 milhões de euros em 2013, porque quantidades substanciais daqueles títulos foram reembolsados. Destes 728 milhões de euros, 298 milhões de euros resultam da posse de dívida pública grega do BCE (437 milhões de euros em 2013).

Em relação aos juros gerados pelas notas em circulação na posse do BCE (8%), estes caíram de 406 milhões de euros em 2013 para 126 milhões de euros.

O total do balanço do BCE aumentou para 185 mil milhões de euros em 2014, mais 6,3% que no ano anterior.

O Conselho de governadores do BCE aprovou na quarta-feira as contas anuais auditadas para o exercício que terminou a 31 de dezembro de 2014.

O BCE refere ainda que em 2014 reservou 15 milhões de euros para provisões de risco. Estas provisões cobrem riscos associados às taxas de câmbio, às taxas de juro, ao crédito e ao preço do ouro.

Os custos de funcionamento da instituição aumentaram para 301 milhões de euros em 2014, contra 241 milhões de euros no ano anterior, tendo associados um aumento do pessoal devido aos preparativos para a entidade assumir ainda no ano passado, em novembro, a Supervisão Única (Single Supervisory Mechanism ou SSM).

Outros custos administrativos, incluindo rendas, custos com honorários e outros bens e serviços, também aumentaram para 376 milhões de euros em 2014, depois de se terem cifrado em 287 milhões de euros em 2013.

O BCE afirma ainda no comunicado que vai distribuir na íntegra os resultados líquidos de 989 milhões de euros pelos bancos centrais nacionais da zona euro.