O governo grego afirmou esta quinta-feira que a reunião do Eurogrupo de sexta-feira «deixará ver quem quer uma solução e quem não quer», depois de Berlim ter recusado o pedido de Atenas para uma extensão do acordo de empréstimo.

Num comunicado apresentado pelo governo como uma reação à declaração do Ministério das Finanças alemão, a Grécia considera que «o Eurogrupo de amanhã tem duas opções: aceitar ou rejeitar o pedido grego. Isso deixará ver quem quer uma solução e quem não quer».

Apesar de Bruxelas ter admitido que o documento enviado podia ser uma base para a negociação, o Ministério das Finanças alemão considerou que o pedido para uma extensão da assistência financeira apresentado por Atenas «não constitui uma solução substancial» e não responde aos critérios fixados pela zona euro.

Na sexta-feira passada, o presidente do Eurogrupo referiu que  «o próximo passo terá que ser dado pela Grécia», isto depois de mais uma reunião sem acordo, em que o ultimado à Grécia foi a palavra de ordem.

Depois disso, Atenas acabou por ceder e apresentou uma proposta que apesar de continuar a não referir o termo troika, aceitava negociar com as três entidades, assim como, aceitava a extensão do empréstimo por seis meses. 

Esta tarde deverá realizar-se uma reunião do Euro Working Group, um grupo de trabalho a nível de altos funcionários, que avaliará o pedido grego e vai preparar a terceira reunião de ministros das Finanças da zona euro dos últimos 10 dias.

Um acordo entre Atenas e o resto da Europa é urgente, em virtude de o atual programa de resgate expirar a 28 de fevereiro. Atenas tem reembolsos a fazer, está a ficar sem dinheiro e arrisca-se mesmo, se não houver acordo, a entrar no mês de março em incumprimento. 

Um cenário de incumprimento seria um dos piores para o país e para a restante Europa. A verificar-se, Atenas não teria dinheiro para pagar aos credores e nem para cumprir com as suas obrigações internas, como o pagamento de salários e pensões aos seus funcionários.

A Grécia está sob assistência financeira desde 2010 e recebeu dois empréstimos dos parceiros europeus e do Fundo Monetário Internacional no total de 240 mil milhões de euros em troca de duras medidas de austeridade.