O vice-primeiro-ministro grego considerou esta quinta-feira possível que o Governo e os parceiros europeus cheguem a acordo na reunião do Eurogrupo de sexta-feira sobre o pedido da Grécia para prolongar por seis meses o financiamento.

«Creio que temos todas as condições necessárias para, na sexta-feira, chegar a um acordo transitório e mutuamente útil», afirmou Yanis Dragasakis, citado pela Lusa, após uma reunião com o governador do banco central da Grécia, Yannis Stournaras.

No entanto, o governante helénico deixou um aviso: «Se o trabalho enorme que temos feito for recusado, que cada um assuma as suas responsabilidades», acrescentou.

«Não há nada que ter medo. O Ministério das Finanças mandou uma proposta específica e, até agora, não houve nenhum comentário concreto», garantiu Dragasakis.

O Ministério das Finanças helénico enviou hoje uma carta em que pedia aos parceiros europeus para prolongar o financiamento do país por seis meses, tendo depois o Eurogrupo convocado uma reunião extraordinária a decorrer na sexta-feira.

Questionado sobre um eventual risco de falta de liquidez, o presidente do Banco da Grécia afirmou que «não há problema» e que «o sistema de crédito está sob controlo».

Segundo uma fonte governamental grega, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, falou hoje ao telefone durante 50 minutos com a sua homóloga alemã, Angela Merkel, num «clima positivo» para «encontrar uma solução de interesse mútuo para Atenas e a Europa».

O governo grego afirmou esta quinta-feira que a reunião do Eurogrupo de sexta-feira «deixará ver quem quer uma solução e quem não quer»,  depois de Berlim ter recusado o pedido de Atenas para uma extensão do acordo de empréstimo.

Um acordo entre Atenas e os parceiros é urgente, em virtude de o atual programa de resgate expirar a 28 de fevereiro. Atenas tem reembolsos a fazer, está a ficar sem dinheiro e arrisca-se mesmo, se não houver acordo, a entrar no mês de março em incumprimento.  

Um cenário de incumprimento seria um dos piores para o país e para a restante Europa. A verificar-se, Atenas não teria dinheiro para pagar aos credores e nem para cumprir com as suas obrigações internas, como o pagamento de salários e pensões aos seus funcionários. 

A Grécia está sob assistência financeira desde 2010 e recebeu dois empréstimos dos parceiros europeus e do Fundo Monetário Internacional no total de 240 mil milhões de euros em troca de duras medidas de austeridade.

Banco Central Europeu pode voltar a financiar banca grega

O Banco Central Europeu (BCE) poderia reinstalar o regime vantajoso de financiamento de que beneficiavam os bancos gregos, se Atenas concordasse em prosseguir com o seu programa reformas, explicou o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann.

A Grécia pediu hoje formalmente aos seus credores o prolongamento do plano de assistência financeira por mais seis meses.

Na carta enviada a Bruxelas, o governo grego assumiu que desejava que o BCE recomeçasse a financiar os bancos gregos, com as mesmas condições que estiveram em vigor até ao início de fevereiro.

Os bancos helénicos têm beneficiado de um regime de exceção, que lhes permitia obter empréstimos dando como garantia a dívida pública grega.

Depois do fim do regime de exceção os bancos gregos têm mantido a cabeça fora de água graças aos fornecimentos urgentes assegurados pelo Banco Nacional Grego, aos quais o BCE pode igualmente pôr fim.

O presidente do Bundesbank referiu, numa conferência numa universidade alemã, que este plano de apoio contava com condições particulares, claramente definidas, e que se estas forem cumpridas o plano pode ser aplicado de novo.

As negociações europeias sobre a situação da Grécia deverão ser retomadas sexta-feira em Bruxelas.