O BES Investimento (BESI) afirmou esta segunda-feira que as administrações da ESCOM e da Tranquilidade facultaram os dados que sustentaram as avaliações feitas para alienação das empresas, recusando a responsabilidade por eventuais «omissões» nos dados fornecidos.

Num comunicado enviado às redações, nota a Lusa, o BESI afirma que «as avaliações e opiniões de valor relativas à Companhia de Seguros Tranquilidade e à ESCOM (Espírito Santo Commerce) foram realizadas com base nos planos de negócio e cash flows futuros» e que «os respetivos dados quantitativos constantes desses relatórios foram fornecidos pelos conselhos de administração das respectivas empresas».

Além disso, segundo a empresa, as avaliações tiveram em conta a «conjuntura económica prevalecente, que, à data, era diametralmente oposta à atual (ESCOM reportada a dezembro de 2009 e Tranquilidade reportada a dezembro de 2012)».

Na quinta-feira, na Comissão parlamentar de Inquérito à Gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), o ex-administrador da ESCOM Luís Horta e Costa disse que a avaliação feita pelo BESI para a alienação da empresa era «um bocadinho salgada» e «difícil de sustentar», e que a administração nunca foi «chamada a pronunciar-se».

Perante estas declarações, o BESI riposta: «Se alguns dos antigos administradores destas empresas hoje se referem às avaliações realizadas pelo BESI como 'salgadas', serão eles os cozinheiros responsáveis por este tempero».

A empresa afirma ainda que nos relatórios de avaliação das empresas é salientado que «o BESI não é responsável pela exatidão, veracidade e abrangência da informação fornecida, não podendo por isso ser responsabilizado por qualquer afirmação ou omissão daquela decorrente».

Nesse sentido, a empresa considera que «só por manifesta má-fé é que agora se pode intentar responsabilizar o BESI pelas opiniões expressas nesses relatórios».