O concelho da Lousã vai dispor a partir de 04 de janeiro de um sistema de transportes rodoviários coletivos, assegurado por uma empresa privada, que inclui um serviço a pedido do utente.

No período experimental até 31 de janeiro, a maioria das viagens são gratuitas, enquanto o transporte a pedido do passageiro também não implica pagamento até dia 10, revelou hoje a Câmara Municipal em conferência de imprensa conjunta com a Transdev, nos Paços do Concelho.

Questionado pela agência Lusa, o presidente desta autarquia do distrito de Coimbra, Luís Antunes, disse que a Câmara “é a gestora” do projeto Urb Lousã – Transportes Urbanos da Lousã e que a transportadora assume a condição de “prestadora do serviço”.

Luís Antunes adiantou que o município fez “um investimento com alguma relevância” para fazer avançar o projeto, para o qual, no orçamento de 2016, aprovado na quinta-feira pela Assembleia Municipal, reserva 50 mil euros.

O autarca do PS disse ainda que o Urb Lousã foi concebido tendo em conta um plano de mobilidade multimunicipal que “está a ser construído” pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, da qual o concelho faz parte.

Há alguns meses, a Câmara da Lousã tinha admitido que estava a estudar uma solução de transportes urbanos para todo o concelho, após ter promovido um sistema que visava atenuar apenas os problemas de mobilidade criados com a implantação dos novos Centro de Saúde e Escola Básica Integrada a alguns quilómetros do centro urbano.

Para requisitar transporte para um conjunto de locais, o utente deverá fazer a reserva até às 16:00 do dia útil anterior ao da viagem, que custa dois euros.

O tarifário inclui o bilhete simples (um euro), o cartão valor (pré-pago, 0,50 euros) e o passe mensal sénior (dez euros).

Este sistema “não pretende substituir” um eventual projeto de mobilidade rodoviária regional que venha a ser concretizado pela CIM da Região de Coimbra, envolvendo os demais concelhos da comunidade, afirmou aos jornalistas Ricardo Afonso, administrador do grupo Transdev.

Ricardo Afonso disse que o Urb Lousã “é um negócio de inclusão social”, sendo o transporte assegurado por carrinhas que, segundo Luís Antunes, terão numa fase posterior os requisitos tecnológicos para servir igualmente pessoas com mobilidade reduzida.

“Este projeto também se destina a servir melhor os espaços escolares”, precisou o autarca, sublinhando uma “forte componente social” do serviço com “preços muito competitivos”.

Em resposta a um dos jornalistas, o presidente da Câmara negou que o Urb Lousã seja “prenúncio de morte” do projeto do metro, cujas obras, interrompidas desde 2010, ditaram há seis anos o encerramento do Ramal da Lousã, deixando sem comboio as populações da região.

“Temos boas perspetivas para a construção dessa solução”, com apoio do atual Governo, “incluindo um ramal urbano em Coimbra”, acrescentou.

Na quinta-feira, numa reunião da Assembleia Municipal, o PS da Lousã reafirmou o seu apoio à instalação de um metro para religar Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra, tendo chumbado uma moção do Bloco de Esquerda que preconizava a reposição do transporte ferroviário, solução que também foi defendida na sessão pelo movimento Lousã pelo Ramal.