O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, afirmou hoje em Lisboa que a estratégia de Portugal para resolver o problema do elevado crédito malparado nos bancos "é ambiciosa e vai na direção certa".

Sem comentar "medidas específicas que estão a ser seguidas pelas autoridades portuguesas", seja pelo Governo seja pelo banco central, Pierre Moscovici sublinhou que "o rácio dos créditos malparados está a reduzir-se" e isso "é obviamente uma boa notícia".

Acho que a estratégia de Portugal em relação ao malparado é ambiciosa e vai na direção certa", defendeu o comissário francês em conferência de imprensa hoje em Lisboa, depois de se ter reunido com o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e com a administradora do banco central Elisa Ferreira.

No mês passado o Governador do Banco de Portugal tinha dito que Para o elevado valor de crédito malparado no balanço dos bancos é consequência de estes terem funcionado como amortecedores da crise financeira para as famílias.

Contudo, admitiu, na ocasião, que o malparado também explica que a crise europeia esteja a ser mais prolongada do que a norte-americana. "Estamos num tratamento prolongado [de cura na Europa], mas a questão que se coloca é que os tratamentos prolongados debilitam o paciente". É isso que faz com que tenhamos um sistema bancário já mais capitalizado, mas que não consegue acompanhar as necessidades de financiamento da economia, concluiu Carlos Costa.

Mas não foi só em relação aos esforços para a redução do crédito malparado que houve elogios da parte do responsável europeu. Moscovici manifestou-se “surpreendido” e “otimista” com a recuperação económica do país, antecipando que o PIB cresça acima de 2,5% este ano.

Estou impressionado. A economia portuguesa está sólida”, afirmou o responsável europeu. 

Reforçando o que já tinha referido, aquando da saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, Moscovici alertou para que o país prossiga com os esforços de redução do défice. E garantiu que a Europa nunca proporá uma estratégia que vá contra o crescimento e contra o emprego, quando questionado sobre a avaliação de Bruxelas sobre as medidas orçamentais previstas pelo Governo para 2018.