Angela Merkel reconheceu na última noite que não é uma «amiga íntima» do Presidente francês, mas considerou que a sua relação profissional com François Hollande é forte e crucial para a Europa.

Angela Merkel defendeu que ambos mantêm «uma boa relação pessoal» e que as relações bilaterais entre Alemanha e França, a primeira e a segunda economia da zona euro, «assentam em fundamentos muito sólidos».

«Parece que não há proximidade entre os dois, mas a realidade é diferente», garantiu a chanceler alemã num fórum sobre a Europa, organizado pelo canal de televisão público WDR.

Angela Merkel acrescentou que uma relação deste tipo não exclui a possibilidade de «diferenças numa ou outra questão».

Em relação à situação económica, Merkel disse que, tanto ela como o seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, estão ¿muito otimistas¿ em relação à determinação do executivo francês para atacar o défice orçamental, adianta a Efe.

Ainda assim, a chanceler alemã considerou que o facto de Paris ter ganho dois anos para reduzir o seu endividamento até à meta exigida pela Comissão Europeia está dentro do prazo previsto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, acrescentando que seu cumprimento é significativo para a União Europeia e a zona euro.

As diferenças entre os governos alemão e francês ficaram patentes há três semanas, com a divulgação de um documento de trabalho do Partido Socialista francês muito crítico em relação à chefe do executivo alemão.

François Hollande, anunciou hoje que pretende desencadear uma iniciativa «para a Europa sair da sua letargia» e impôs um prazo de dois anos para «fornecer um contorno a uma união política».

Durante uma conferência de imprensa que assinalou um ano da sua eleição, o chefe do Eliseu também considerou que a austeridade está na origem da recessão na zona euro e assegurou que promulgará a lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, logo após a deliberação do Conselho Constitucional sobre o texto aprovado pelo Parlamento.

«Se a Europa não avança, decai ou mesmo desaparece da carta do mundo, do imaginário dos povos (...). É meu dever fazer com que a Europa saia da sua letargia e reduzir a indiferença dos povos que só pode comprometer o próprio futuro da União Europeia», declarou.