Os trabalhadores da transportadora aérea açoriana SATA na ilha do Faial estão em greve ao trabalho suplementar até 31 de dezembro, anunciou hoje o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil.

Em comunicado, o SINTAC refere que “ao longo de largos meses os trabalhadores daquela escala demonstraram considerável desagrado pela forma como são tratados pela chefia local”, o que resultou num “abaixo-assinado que pretendia denunciar e alertar para a degradação das relações de trabalho”.

“Mesmo depois de todas as iniciativas dos trabalhadores e dos alertas feitos pelo SINTAC, a empresa não mostrou qualquer preocupação em repor a paz social na escala da Horta. Até que haja uma verdadeira alteração das práticas abusivas na gestão da escala da Horta estarão de greve ao trabalho suplementar”.

O SINTAC adverte, ainda, que o que se passa na ilha do Faial “acontece noutras escalas”, pelo que “não será de estranhar que ações iguais possam acontecer”.

À agência Lusa, o representante do SINTAC nos Açores, Filipe Rocha, adiantou que são cerca de 40 os trabalhadores na SATA no Faial, explicando que “há um excesso de trabalho extraordinário” e a “empresa não tem tomado medidas para o limitar”.

“O que queremos é que a empresa, não tendo dado ouvidos aos nossos alertas, se veja obrigada a alterar os horários de acordo com a operação aeroportuária”, acrescentou Filipe Rocha.

O porta-voz da SATA, António Portugal, informou que “a escala da Horta é muito sazonal em termos de tráfego que, no verão, tem um acréscimo de 70%”, observando que “os recursos humanos estão dimensionados de acordo com este desfasamento”.

Segundo António Portugal, “a escala está sempre dimensionada para a operação de inverno, que no verão é reforçada”, pretendendo o SINTAC que “os colaboradores fiquem todo o ano no regime de tempo inteiro de trabalho, o que não se justifica com o movimento que o aeroporto tem no inverno”.

“Não faz sentido termos recursos em excesso no período de inverno quando a operação é menor”, adiantou, considerando que “se a SATA tivesse os colaboradores no regime de horário que o SINTAC pretende, a escala ficava sobredimensionada em relação às necessidades operacionais”.

O responsável acrescentou que “estes colaboradores assinaram um vínculo contratual com a SATA neste regime de tempo parcial”.