O presidente do Sindicato da Construção Civil disse esta quarta-feira que vai solicitar uma reunião com “caráter de urgência” à administração da Soares da Costa, a construtora que anunciou esta quarta-feira um despedimento coletivo de cerca de 500 trabalhadores.

“O Sindicato da Construção de Portugal pediu hoje mesmo uma reunião de caráter urgente à administração da Sociedade de Construções Soares da Costa, S.A., para evitar o despedimento coletivo de 500 trabalhadores”, lê-se num comunicado de imprensa.

Num documento a que a Lusa teve acesso, assinado pelo presidente executivo da Soares da Costa, Joaquim Fitas, são referidas as "repercussões nefastas" para a empresa da crise e “estagnação do mercado de construção” em Portugal e em Angola, seu principal mercado, da quebra de receitas “relacionadas com a produção petrolífera”, o que fez cair o investimento público e privado, para considerar que perante esta conjuntura é “inevitável o redimensionamento e reestruturação da empresa”.

Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato da Construção Civil reconheceu que a notícia do despedimento coletivo na Soares da Costa não é “nenhuma surpresa”.

“O despedimento coletivo está anunciado há muito tempo. Infelizmente a empresa tem há mais de ano centenas de trabalhadores em casa a pagar-lhes salários e nenhuma empresa pode sobreviver numa situação destas”, afirmou, recordando que a Soares da Costa tem neste momento apenas uma obra, mas já teve em simultâneo cerca de 100.

“A Soares da Costa era só a maior empresa do setor da construção em Portugal e quando se falava em construção falava-se em Soares da Costa. Chegou a ter 7.500 funcionários”, recordou.

Albano Ribeiro realça, contudo, que o sindicato vai garantir “em termos jurídicos” uma resposta à situação”, designadamente sugerindo que a empresa participe na construção de obras públicas anunciadas, como o parque escolar, a requalificação da linha férrea, a reabilitação urbana.

“Se isso (despedimento coletivo) avançar, naturalmente que este processo pode ser minimizado (com novas obras públicas) (…) Não na totalidade, mas em boa parte”, acredita o dirigente sindical.

Segundo Albano Ribeiro, a empresa tem que tomar uma posição em relação a esta situação que já vem sendo anunciada há bastante tempo.

“O sindicato garante que vai assegurar os direitos dos trabalhadores”, sublinhou.

A empresa de construção civil tem acumulado prejuízos anuais superiores a 60 milhões de euros e é controlada em 66,7% pela GAM Holdings, detida pelo empresário angolano António Mosquito, que entrou no capital da construtora no final de 2013, sendo os restantes 33,3% da SDC – Investimentos (ex-Grupo Soares da Costa).