As confederações patronais e as estruturas sindicais apontaram esta terça-feira algumas falhas ao plano Juncker, nomeadamente se vai ou não ser contabilizado no défice público o valor do investimento europeu em Portugal.

«Há um certo desconforto com o tipo de políticas que vão ser seguidas e que, aparentemente, não alteram significativamente o modelo de desenvolvimento europeu que não tem resultado nos últimos anos. Consideramos positivo o plano Juncker, mas pareceu-nos bastante limitado, já que o orçamento na Europa, em termos globais, vai ser na casa dos 20 mil milhões de euros havendo uma expetativa do efeito dos 315 mil milhões o que nos parece ser otimista», afirmou o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes.

O plano Juncker é um programa europeu de investimento público e privado de 315 mil milhões de euros, com duração de três anos e financiado por fundos comunitários, por empréstimos do Banco Europeu de Investimento e pelo setor privado.

O representante da CCP, que falava aos jornalistas no final de um encontro entre as confederações patronais, as estruturas sindicais e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no âmbito do Conselho Europeu que vai decorrer a 18 e 19 de dezembro, em Bruxelas, disse ainda estar preocupado perante a ausência de «medidas concretas no combate à fraude e evasão fiscais».

Já Augusto Praça, da CGTP, considerou que falta «uma dimensão social» no plano Juncker, embora «todo o investimento que leve à criação de emprego seja bem-vindo».

«Mas a questão que se coloca é: Se deve ou não ser contabilizado no défice público esse investimento? Vemos com algumas dificuldades e ainda não há uma decisão do Governo sobre se haverá ou não neutralidade fiscal, isto é, se o investimento contará ou não para o défice público», segundo o representante da CGTP.

Esta matéria também preocupa o secretário-geral da UGT, que considerou ser «negativo se as verbas que forem revertidas para o investimento público contarem para o défice».

«Há que acautelar que um eventual excesso de défice resultante do investimento público ou das garantias que o Estado português tenha de dar aos investidores privados que também contribuem para o défice possa não ser contabilizado», advogou Carlos Silva.

Por fim, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal - CIP, António Saraiva, disse estar preocupado com o «arranque deste processo de financiamento».

«É otimista e ambicioso que de 21 mil milhões de euros se venham a gerar 315 mil milhões de euros», afirmou António Saraiva.

No entender do responsável, o investimento deve ser canalizado no setor das energias alternativas e num plano de transportes e infraestruturas que, para a CIP, «são setores prioritários que podem e devem ser alavancados».