O presidente da Empordef classificou hoje como «ruinosa» a anterior gestão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), defendendo que é preciso explicar perdas de milhões de euros lesivas do erário público.

«Chegámos a uma fase em que temos de explicar aos portugueses porque é que isto estava assim. O erário público foi contributivo em relação a uma situação de gestão que eu classifico de ruinosa», afirmou Vicente Ferreira, em declarações aos jornalistas, na sede da holding estatal denominada Empresa Portuguesa de Defesa.

Rui Vicente Ferreira defendeu que a solução da subconcessão [à Martifer] «não é perfeita mas é a possível» e disse que «será implementada"» afirmando esperar que as audições que vão decorrer no parlamento sobre os ENVC possam clarificar questões sobre as quais disse também ter dúvidas, nomeadamente se as anteriores gestões cumpriram a lei.

Referindo uma notícia da TVI que dava conta da venda de aço a um preço alegadamente inferior ao valor de mercado, Rui Vicente Ferreira considerou que «a questão é porque é que o aço foi comprado há sete anos e não foi aplicado».

«Aços há mais de mil tipos. A questão é por que é que aquele aço estava lá há sete anos? Aquele bem, de milhões, foi adquirido e não foi aplicado em navio nenhum? Por que é que se comprava bens de equipamento de centenas de milhões, sem aplicar a lei?», questionou.

Vicente Ferreira frisou que os ENVC «estavam obrigados, como qualquer empresa pública, a respeitar a lei», acrescentando que não houve nenhum concurso público para a compra de matérias-primas e equipamento até 2011, sugerindo que «provavelmente não se respeitou o código das compras públicas».

Vicente Ferreira defendeu que «alguém deve explicar ao país por que é que o aço foi adquirido e explicar as causas», indicando outros casos que considera carecerem de explicação: «o Atlântida, o NPO, os asfalteiros».

Questionado sobre se o aço foi vendido a um preço inferior ao de mercado, Vicente Ferreira afirmou desconhecer o valor, frisando que a administração cumpriu a lei.

«Quanto a isso não temos qualquer dúvida. A administração cumpriu a lei. Porque é que se vendeu? Porque era preciso pagar salários». O presidente da Empordef acrescentou que, «em aço, o estaleiro de 2000 a 2011 comprou dezenas de milhões de euros de aço», sem recorrer a concurso público.