A Comissão de Trabalhadores do Novo Banco acusa o Governo de ignorar o despedimento coletivo de 56 trabalhadores da instituição e outros 13 de empresas do grupo, como a GNB Vida - 69 no total, portanto, sendo este um banco "que pode ser considerado estatal".

“Lamentamos o alheamento quase total do Governo e das forças políticas deste país, em todo o processo da redução de trabalhadores no Novo Banco”

Num comunicado enviado às redações, os representantes dos trabalhadores consideram que “não foram esgotadas outras formas possíveis de redução de trabalhadores”. Entre essas alternativas, estão as reformas antecipadas, rescisões de contrato de forma voluntária e por mútuo acordo, pré-reformas ou redução do horário de trabalho.

“Estamos perante um banco que pode ser considerado estatal, já que tem uma ajuda do Estado de 3,9 mil milhões de euros, pelo que não entendemos como é que o Governo não se opôs e não mandou travar de imediato este procedimento de despedimento coletivo, feito sem diálogo e cooperação entre todos os parceiros envolvidos e sem esgotar outras formas mais justas de reduzir postos de trabalho”, condena a Comissão de Trabalhadores.

No âmbito da reestruturação acordada entre as autoridades portuguesas e a Comissão Europeia, o Novo Banco acordou reduzir em 1.000 pessoas o número de efetivos até final de 2016 e cortar 150 milhões de euros em custos operativos.

No entanto, como parte significativa dos trabalhadores já tinha saído, nomeadamente através de um programa de reformas antecipadas. Para além disso, a venda de unidades no estrangeiro implicará também a redução de pessoal. No início do ano, o número falado de saída de trabalhadores era de cerca de 500, tendo então o banco aberto um processo de rescisões amigáveis.

Segundo as informações recolhidas pela Lusa, a proposta de rescisão por mútuo acordo foi apresentada a 325 trabalhadores, dos quais 256 aceitaram.

Desde o colapso do Banco Espírito Santo, em agosto de 2014, já foram reduzidos cerca de 2.000 postos de trabalho no Grupo Novo Banco.