O presidente da cooperativa de produtores Terras do Sal pediu hoje ao Governo para não aplicar uma nova taxa ao setor porque isso reduz o consumo e apelou a que seja antes incentivado o uso de melhor sal.

Em declarações à Lusa, Luís Horta Correia considerou que a indústria do sal em Portugal não está a ser «acarinhada», frisando que devia ser incentivada, já que se trata de um produto considerado «de excelência».

A ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou na terça-feira, na conferência de imprensa após a reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que há «necessidade de continuar a diminuir as dívidas acumuladas no setor da saúde», admitindo vir a aplicar taxas à indústria farmacêutica e a produtos com efeitos nocivos para a saúde.

Em fevereiro, os pagamentos em atraso há mais de 90 dias ascendiam a 1.980 milhões de euros, mais 83 milhões do que no final de 2013.

Em causa está, de acordo com a edição de hoje do jornal i, mais tributação sobre álcool e o tabaco, mas também novas taxas sobre produtos alimentares como o sal e refrigerantes, entre outros.

Para Luís Horta Correia, esta medida seria «um contrassenso» até porque «já existe no país uma lei que distingue e protege o sal tradicional e o refinado».

Para o responsável, a introdução de novas taxas insere-se na lógica de «arrecadar receitas» e «reduzir o consumo de sal», procurando-se um cenário semelhante ao que os Estados Unidos têm, mas, alertou, as realidades são diferentes e não devem ser comparadas.

«Não sabemos bem se vai ou não concretizar-se. A adoção destas medidas parece-nos uma coisa descabida e indicia uma caça às taxas, não é uma coisa que tenha uma prova científica de que em Portugal seja necessário ou conveniente fazer», reiterou.

Luís Horta Correia admitiu a necessidade de reduzir o consumo de sal em casos de hipertensão, mas lembrou que reduzir «brutalmente» a sua ingestão pode trazer outros problemas a nível de saúde, tendo em conta o equilíbrio mineral que o sal possui.