O presidente do Eurogrupo disse esta sexta-feira após a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, que voltou a terminar sem acordo, que «o próximo passo terá que ser dado pela Grécia».

Jeroen Dijsselbloem deixou claro que a proposta dos parceiros europeus para uma solução para Atenas passa pela extensão do atual programa para depois o flexibilizar.

Para conseguir negociar, a Grécia só tem uma opção: ceder.

«Está agora na mão dos gregos saber se querem continuar as discussões, mas também estar cientes quanto á natureza dos compromissos que a Grécia terá que cumprir», declarou o responsável aos jornalistas.

«O próximo passo terá que ser dado pelos gregos. Se querem ou não um programa de extensão. E em termos de prazos temo esta semana e é tudo».


Segundo o presidente do Eurogrupo, o pedido de extensão do programa permitiria à Grécia «apresentar medidas alternativas» sem «dar passos unilaterais».

O Presidente do Eurogrupo defende ainda que o acordo tem de ser alcançado esta semana e admite que «talvez» haja uma nova reunião na próxima sexta-feira.

Na mesma linha, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, disse que o melhor seria prosseguir discussões com a Grécia quanto a «uma extensão do programa».

«A questão é que o diálogo deve ser feito num determinado enquadramento, e a posição unanime é que o enquadramento adequado é uma extensão do programa (...). Não há mais discussões sem recebermos pedido» por parte das autoridades gregas»


A reunião do Eurogrupo desta segunda-feira voltou a terminar sem um acordo para a Grécia. O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, tentou um entendimento com os parceiros europeus, mas não passou disso mesmo, de uma tentativa. 

Uma tentativa que já se adivinhava falhada, uma vez que horas antes do encontro muitas eram as vozes de ceticismo em relação ao encontro. O ministro das Finanças alemão já se tinha mostrado «muito cético» sobre a possibilidade de se chegar a um acordo com a Grécia na reunião desta segunda-feira e lamentou mesmo que os gregos tenham eleito um governo que se comporta de maneira irresponsável».

Quem mostra não estar a brincar também é o primeiro-ministro da Grécia. Varoufakis disse, num artigo de opinião publicado no «The New York Times», que a Grécia não está a fazer  bluff nas negociações com os parceiros internacionais. 

A Grécia só tem uma opção: «apresentar honestamente os factos, mostrar quais as nossas propostas (…) e revelar quais as linhas vermelhas que a lógica e o dever nos impedem de ultrapassar».


Encontro estava debaixo de todos os holofotes

A reunião desta sexta-feira era aguardada com muita expetativa, depois de o anterior encontro do Eurogrupo e de a cimeira de líderes da última quinta-feira terem servido para o governo grego apresentar as posições, rejeitando o programa de resgate que ainda está em curso.  

As autoridades gregas aceitaram no final da passada semana discutir questões técnicas com as instituições que compõem a troika, trabalho que prosseguiu ao longo do fim de semana.  

Um acordo é urgente, em virtude de o atual programa de resgate à Grécia expirar a 28 de fevereiro.

Investidores não perdoam

Enquanto prosseguia a reunião do Eurogrupo, os investidores não deram tréguas aos principais mercados da Grécia.

O principal mercado acionista de Atenas encerrou a sessão desta segunda-feira com uma queda de 3,83% para 859.7 pontos, depois de ter disparado para máximos de dois meses na sexta-feira em antecipação ao acordo entre o país e os parceiros europeus.

No mercado secundário, os juros das Obrigações do Tesouro de Atenas, na maturidade a três anos, subiram para os 17,08%, contra os 15% registados na última sessão.

Saiba aqui tudo o que se passou na reunião do Eurogrupo.