Portugal e Espanha estão a unir esforços para aumentar a atratividade dos portos ibéricos, estando a trabalhar numa candidatura a fundos comunitários para desenvolver um sistema informático de gestão da logística relacionada com o transporte marítimo.

De acordo com o presidente da entidade que coordena as autoridades portuárias espanholas, José Llorca Ortega, apesar de estarem «em concorrência», pode ser «benéfico» para os portos de Portugal e de Espanha terem «uma marca conjunta que venda» a sua «posição central em relação ao transporte marítimo internacional».

«Pode-se dizer que a península [Ibérica] é o centro do mundo no que diz respeito ao transporte marítimo, pelo que as possibilidades de captação de tráfego nos nossos portos são importantes», defendeu o dirigente da Puertos del Estado, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a Associação dos Portos de Portugal (APP), que decorreu hoje em Sines.

No encontro, os responsáveis de ambos os países abordaram os vários projetos para os quais preparam candidaturas integradas a fundos comunitários, no âmbito do programa «Ligar a Europa», para conseguirem «uma maior potencialidade do ponto de vista transnacional».

A Janela Única Logística (JUL), um sistema que permite articular todos os operadores da cadeia logística ligada ao transporte marítimo (ferrovia, rodovia e parques logísticos de segunda linha), foi o principal tema abordado.

Segundo Vítor Caldeirinha, presidente da APP e da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), a proposta portuguesa envolve os sete portos nacionais, 16 investidores, entre os quais a CP Carga e a Refer, e 16 parceiros que apoiam a candidatura.

Com um orçamento de seis milhões de euros e dois anos e meio de prazo de execução, na parte portuguesa, a implementação da JUL irá permitir reduzir os tempos administrativos, aumentando a competitividade, explicou o dirigente da APP.

As entidades ibéricas estão também a colaborar em candidaturas para o desenvolvimento de infraestruturas de abastecimento de combustíveis alternativos para os navios, sobretudo o gás natural liquefeito (GNL).

«Estamos convencidos, bem como os operadores logísticos do gás, de que a utilização do gás no transporte marítimo vai ser essencial nos próximos anos», sustentou José Lorca Ortega.

O «ecobono», um projeto que visa criar subsídios dirigidos aos transportadores para favorecer o transporte marítimo de curta distância, foi outro dos temas que ocuparam os responsáveis.

Ambas as partes afirmaram ainda o «interesse» em que se «complete a ligação [ferroviária] entre Portugal e Espanha».

«Acreditamos em sinergias positivas entre a ferrovia e os portos», disse José Llorca Ortega, acrescentando que, para «potenciar» a posição geoestratégica dos dois países, estes devem «ser interoperáveis com a Europa», uma questão que têm de «enfrentar definitivamente».