A agência de notação financeira Fitch retirou, esta sexta-feira, Portugal do 'lixo' melhorando em dois patamares o 'rating' atribuído à dívida pública portuguesa, de 'BB+' para 'BBB', o segundo nível da categoria de investimento.

A notícia surge depois da TVI ter anunciado, esta sexta-feira de manhã, que esta seria a decisão da agência de notação.

A Standard & Poor's já o tinha feito, em setembro. Com a decisão da Fitch, duas das três maiores empresas de rating colocam Portugal com avaliação positiva.

Centeno: "É o reconhecimento das opções de política económica do Governo português”

O ministro das Finanças reagiu à subida do rating través de comunicado, dizendo que "o Governo acreditou, sempre, que os esforços levados a cabo por Portugal ao longo dos anos deveriam colher este reconhecimento atingido com base num modelo económico sólido, equilibrado e inclusivo".

“Esta classificação reflete o trajeto de controlo da despesa pública e de melhoria da balança corrente. É o reconhecimento das opções de política económica do Governo português”, afirmou o ministro das Finanças, Mário Centeno. “A magnitude sem precedentes desta reavaliação foi possível, como refere a agência, pela recente inflexão positiva e estrutural verificada em áreas chave. A robustez do crescimento desde meados de 2016; o dinamismo da criação de emprego e a queda do desemprego para 8,5%; o recente fortalecimento do setor financeiro; a perspetiva constante do cumprimento das metas orçamentais e a firme e sustentável redução da dívida pública que começou a ser registada no corrente ano.”

A decisão da Fitch, que se junta às da Standard and Poor’s e DBRS, coloca a dívida soberana firmemente classificada em grau de investimento e "favorece também as condições de financiamento das famílias e das empresas portuguesas".

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Mário Centeno lembra ainda que "nunca antes uma das três principais agências de rating tinha decidido, num só momento, aumentar em dois escalões a avaliação da dívida soberana portuguesa".

"Boas notícias para a economia portuguesa"

Em entrevista à agência Lusa, Mário Centeno afirmou que a notícia é "naturalmente, uma boa notícia para a economia portuguesa". Para o ministro das Finanças, a "dívida portuguesa hoje passou mais um teste na classificação e entrou numa liga mais relevante", considerando que a redução de custos de financiamento "vai acelerar nos próximos tempos".

Além disso, o recém-eleito presidente do Eurogrupo admitiu que no próximo ano também a Moody's venha a rever em alta o 'rating' atribuído a Portugal: "Há decisões que vão ser tomadas no futuro por outras agências que, com uma enorme probabilidade, seguirão a mesma trajetória" da S&P e da Fitch, disse.

"Nós temos vindo a fazer um trajeto de grande credibilidade junto dos portugueses, dos mercados internacionais e das instituições internacionais e esta decisão de hoje dá-nos uma certo alento para continuar neste trajeto de condições", considerou o governante português.

Mário Centeno disse que estas notícias positivas são "para aproveitar", sobretudo porque são "uma consequência positiva do esforço", mas salientou que o caminho de sustentabilidade é para manter.

Para o governante, a trajetória "é para manter" e é preciso que "todas as decisões [orçamentais] sejam implementadas num contexto de estabilidade que compete ao ministro das Finanças garantir".

"Todos temos de ter a consciência de que isto é um processo muito longo, que vai seguramente trazer o país para níveis de prosperidade que, com sustentabilidade, todos desejamos e é esse o espírito que temos de almejar: mais, mas na mesma direção", avisou.

Questionado sobre os alertas do Fitch, sobretudo quanto à dívida pública ainda elevada e ao persistente nível de crédito malparado, o ministro das Finanças disse que essas são notas que devem servir de orientação no futuro, mas preferiu destacar os progressos alcançados.

"Temos alguns legados ainda no setor financeiro sobre a forma, por exemplo, de empréstimos cujas empresas que os pediram têm dificuldades em cumprir, [mas] temos feito um grande progresso. No último ano o rácio desses empréstimos sobre o crédito total diminuiu de forma significativa e nós acreditamos que isto também é reflexo do bom momento económico, da maior capitalização das empresas e da maior facilidade com que os bancos lidam com estes empréstimos", disse.