O FMI deixou este aviso (entre vários) e o ministro das Finanças já respondeu, contrariando. Se o Fundo Monetário Internacional quer que Portugal seja contido nos salários da administração pública, porque são uma fatia grande das despesas do Estado, Mário Centeno tem outra visão.

Por isso, desvalorizou hoje a recomendação da entidade liderada por Christine Lagarde, garantindo que a aposta do Governo na valorização salarial é para continuar. 

"Ao FMI, o que eu digo é que desde 2014 a massa salarial, o conjunto de salários pagos em Portugal, aumentou 14%. Destes 14%, 11% foram crescimento do emprego e apenas 3% crescimento do salário médio. Estes números mostram que a economia portuguesa está em progresso muito claro, e este progresso faz-se com ganho de emprego”, começou por afirmar o ministro.

O resultado que temos do crescimento médio do salário mostra que o aumento do emprego é porque as empresas estão a empregar mais pessoas e a pressão salarial não é muito significativa. E porquê? Porque vínhamos a perder população – Portugal durante 5 anos perdeu população ativa -, esse processo terminou em meados de 2016, temos consecutivamente vindo a recuperar, e isto é notório na evolução do emprego"

O Relatório da Missão do Artigo IV do FMI alerta de que a fatura da despesa vai aumentar com o descongelamento gradual das carreiras da função pública a partir de 2018, uma promessa do Governo que Centeno reafirmou.

Aos trabalhadores da administração pública, o que eu posso dizer é que a determinação do Governo na valorização do emprego, na valorização salarial é inquestionável e não vai sofrer nenhuma alteração”.

Qual a argumentação do FMI?

O Fundo considera difícil a possibilidade de uma racionalização do emprego "sem reformas estruturais para ajustar o emprego público em todos os setores."

"Um planeamento salarial mais forte e uma reestruturação do setor público são necessários para ajustar o nível e a composição do emprego público, de modo a criar poupanças orçamentais, ao mesmo tempo que se melhora o serviço público", lê-se no relatório.

Os pensionistas também não escapam a este escrutínio do FMI que sugere que Portugal corte, também por esta via: "revisitando as recentes reformas das pensões para reduzir direitos adquiridos."

A redução das penalizações por reforma antecipada e o aumento da idade da reforma são boas medidas para o FMI. No entanto, é necessária "uma reforma mais ampla para reduzir a despesa de pensões em Portugal, uma das mais altas da Europa - em 15,6% do PIB em 2014."

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