Nuno Mota Pinto, diretor executivo do Banco Mundial, é o novo presidente do Montepio, sabe a TVI24. Vai substituir José Félix Morgado, que estava na liderança há pouco mais de dois anos, desde agosto de 2015.

Entretanto, já ao final da tarde, e em nota à imprensa, a entidade liderada por Tomás Correia disse que, tendo em conta o “plano da parceria” assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é “indispensável a criação de condições para a sua operacionalização”.

O nome de Nuno Mota Pinto reuniu o “consenso da estrutura acionista” e que este “já aceitou presidir à Comissão Executiva da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG)”.

[Nuno Mota Pinto tem] o perfil requerido para a execução da estratégia definida, no sentido de dar cumprimento aos objetivos de transformação da CEMG na instituição financeira portuguesa de referência para a economia social”

O presidente da Associação Mutualista, Tomás Correia, entrou há poucos meses em rota de colisão com Félix Morgado, pelo que esta saída já era dada como possível, pese embora o mandato até só terminasse daqui a um ano, no final de 2018.

O Montepio está numa fase de mudança, com a entrada de novos acionistas, incluindo a Santa Casa da Misericórdia. No almoço de Natal do grupo, no último sábado, Tomás Correia anunciou que a entrada da Santa Casa no capital do banco deverá ficar fechada até ao Natal e que, decorrente disso, haveria alterações ao modelo de governação e, também, nos órgãos sociais. Estão já a acontecer.

Segundo o jornal Eco, José Félix Morgado é contra o Montepio passar a ser um banco social e tem igualmente reservas quanto à venda da Montepio Seguros ao grupo chinês CEFC. O valor do negócio não é ainda conhecido, mas terá sido acordado um investimento chinês de 150 milhões de euros por 60% da holding que detém a Lusitânia.

Para além disso, o mesmo jornal adianta também que Tomás Correia queria já há vários meses mudar dois administradores do banco, Lopes Raimundo e João Neves, e Félix Morgado opôs-se, ameaçando até demitir-se.

Morgado sai de cena, entra Mota Pinto

José Félix Morgado não se demitiu, mas vai mesmo sair do banco. Para a Mutualista, Nuno Mota Pinto tem “o perfil requerido para a execução da estratégia definida, no sentido de dar cumprimento aos objetivos de transformação da CEMG na instituição financeira portuguesa de referência para a economia social”.

O resto da administração da Caixa Económica acompanha-o. Deixa resultados positivos (a Caixa Económica Montepio Geral lucrou 20,4 milhões de euros até setembro), depois de no ano passado o banco ter registado prejuízos. Esta melhoria nas contas foi graças a cortes nos custos operacionais, aumento do produto bancário e aumento das comissões.

Passa então a liderar os destinos da CEMG Nuno Mota Pinto que era, desde 2003, diretor executivo do Banco Mundial para Itália, Albânia, Grécia, Malta, Portugal, São Marino e Timor-Leste.

Tem 43 anos, é filho do antigo primeiro-ministro Carlos Alberto da Mota Pinto, falecido em 1985. Começou a sua carreira no BPI, como analista financeiro. Esteve uma década no banco e chegou a ser manager e analista senior.

Tem no currículo um MBA, realizado em 2001 no INSEAD, em Fontainebleau. Nos dois anos seguintes, foi membro de órgãos sociais de várias câmaras de comércio internacionais, bem como de associações profissionais e industriais. Foi ainda diretor do BPI – Project.

Representa Portugal no Fundo Global para o Meio Ambiente e assessorou a relação de Portugal com o FMI, no contexto do programa de ajustamento financeiro, entre 2011 e 2014.

Integra os grupos consultivos do departamento de Economia da Universidade de Coimbra e do Programa de Parceria para o Desenvolvimento Fundação Calouste Gulbenkian.

Recorde-se que o Montepio passou a ser sociedade anónima, precisamente para que seja possível a entrada de outras instituições da economia social no capital.