A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) é, a partir de hoje, uma sociedade anónima. Este é passo decisivo para que seja possível a entrada de outras instituições da economia social no capital. Com isto, a Associação Mutualista Montepio Geral deixa de ter 100% do capital social do banco.

De acordo com o documento disponível na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a realização da escritura dos estatutos e a correspondente inscrição no registo comercial foram feitas esta quinta-feira, oficializando a transformação da CEMG em sociedade anónima.

O Governo tem dito que que vê "com bons olhos" a eventual entrada da Santa Casa da Misericórdia no capital do Montepio. Em julho, o provedor Santana Lopes não confirmou nem desmentiu. Admitiu apenas interesse.

O comunicado enviado à CMVM explica que, "em consequência da transformação em sociedade anónima, o Fundo de Participação da CEMG extinguiu-se por conversão em capital social, pelo que as unidades de participação do mesmo se converteram em ações ordinárias".

Na segunda-feira, durante a sessão especial de mercado regulamentado na Euronext Lisboa dedicada à divulgação do resultado da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Montepio Geral Associação Mutualista (MGAM) sobre o fundo de participação do banco mutualista, o presidente António Tomás Correia já tinha destacado que agora se inicia uma nova etapa na vida da CEMG.

Desde 2007 ou 2008 que dizemos que o país precisa de um grupo financeiro da economia social muito forte, detido por instituições da economia social"

Na ocasião, Tomás Correia considerou que a transformação da CEMG em sociedade anónima é um passo fundamental para a criação de um "grupo financeiro da economia social em Portugal" com a "entrada de novos parceiros".

Temos uma grande convicção que vamos entrar nesta nova etapa com força e determinação. E que não defraudaremos todas as expectativas que se criarem com o Montepio".

A MGAM passou a controlar 98,28% do Fundo de Participação da CEMG após a OPA voluntária que lançou no início de julho, passando a deter "quase 100%" do capital do banco mutualista, destacou o responsável.