Os taxistas vão apelar à população para se solidarizar na “luta contra a Uber”, exigindo ao Governo que acabe com o serviço de transporte privado, segundo um manifesto a que a Lusa teve acesso, hoje entregue ao Governo e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes, e que será distribuído a partir do dia 22 de abril.

A Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e Federação Portuguesa do Táxi (FPT) defendem que a Uber é ilegal porque “não respeita, não obedece, nem se submete às regras legais que em Portugal disciplinam a atividade do transporte em táxi”.

Mais: dizem que a Uber cobra o que entende e aumenta os preços em épocas de maior procura, 

"[As viaturas] não estão equipadas, identificadas, nem licenciadas […] ou autorizadas para a atividade que executam”, acusam ainda a ANTRAL e a FPT, acrescentando que os condutores não têm certificado profissional para o exercício da atividade.

Segundo as associações, nenhum dos intervenientes na atividade da Uber – angariador de serviços, proprietário da viatura e condutor – paga impostos ou segurança social, tal como não é abrangido pelos seguros obrigatórios por lei para o setor do transporte de passageiros.

Por tudo isso, exigem ao Governo a “atuação adequada à eliminação de uma atividade que é ilegal” e pedem a “ajuda de todos os cidadãos” neste processo.

Os taxistas anunciaram na semana passada mais uma série de dias de luta, a partir de 29 de abril, que terá uma "surpresa". Está tudo em cima da mesa: paralisação, concentração, palavras de ordem nas viaturas. Não é, recorde-se, a primeira vez que há protestos e o clima já ficou por várias vezes tenso, até com agressões

Em março, o Ministério do Ambiente (que tutela esta área), apresentou um pacote de 10 medidas para a modernização do setor do táxi, num investimento de 17 milhões de euros, mas os taxistas consideraram tratar-se de uma moeda de troca para abrir a porta à regulamentação da Uber.