A agência de notação financeira Fitch considera há risco de deflação na zona euro, «ainda que baixo», e alerta que os níveis baixos de inflação penalizam a competitividade dos países periféricos.

Numa nota hoje publicada, a Fitch refere que «o risco de deflação na zona euro é mais significativo, ainda que baixo» do que nas outras grandes economias desenvolvidas do mundo, acrescentando que as opções de política para responder a potenciais choques deflacionários «são mais limitadas» na zona euro do que noutras áreas.

No entanto, a agência mantém as previsões para a recuperação económica da área do euro: de 1,1% este ano e de 1,4% em 2015.

Destacando que a inflação foi de 0,8% em fevereiro, abaixo do objetivo do Banco Central Europeu (BCE), de ter um nível de preços abaixo mas próximo de 2%, a Fitch entende que o BCE tem uma margem de atuação mais limitada.

A instituição refere que a taxa de juro diretora na zona euro já está próxima de zero, considerando que o banco liderado por Mario Draghi «poderá enfrentar desafios políticos e legais se tentar avançar para quantitative easing», que são medidas de política monetária não convencionais.

A Fitch sublinha ainda que a inflação está abaixo do objetivo tanto nos países centrais como nos da periferia, mas adverte que «quanto mais baixa for a inflação média, mais prolongada e mais dispendiosa será a recuperação da competitividade perdida nos países periféricos».

Além disso, a agência de notação financeira considera que o ajustamento previsto nos países periféricos, combinado com a rigidez de preços e dos salários, ia dificultar o reequilíbrio na periferia, aumentar o valor real do peso da dívida e «podia também aumentar os riscos deflacionários».