A Sonae Sierra vai investir 47 milhões de euros no seu primeiro centro comercial na Colômbia, em Cucuta, a inaugurar em 2017 numa parceria com um empresário local de origem portuguesa, anunciou esta terça-feira o presidente executivo.

De acordo com Fernando Guedes de Oliveira, que falava num encontro com jornalistas no Porto, foi já adquirido o terreno onde será construído um centro comercial com 40.000 metros quadrados de área bruta locável (ABL) em parceria “50/50” com o empresário Gonçalo Oliveira, ligado à família que detém a têxtil Riopele.

Este investimento insere-se na estratégia da promotora e gestora de centros comerciais do grupo Sonae, que passa pelo investimento em mercados não “maduros” com financiamento obtido através da “reciclagem de capital” decorrente da venda de ativos em mercados já “maduros”.

“O nosso objetivo é ter uma participação minoritária nos ativos e manter a gestão”, afirmou o presidente executivo, revelando esperar “ter brevemente mais notícias sobre reciclagem de capital” em mercados como Portugal e Espanha.

É que, disse, após vários anos em que “não havia apetite dos investidores para comprar em Portugal e Espanha”, atualmente o interesse por ativos no Sul da Europa está a aumentar e “este ano, pela primeira vez desde o início da crise, há investidores internacionais a olhar para Portugal”, o que “vai permitir [à Sonae Sierra] uma valorização” dos seus empreendimentos.

Salientando que o perfil de financiamento da Sonae Sierra é “do mais conservador que há em Portugal e Espanha”, o presidente executivo considerou haver “margem para alavancar mais um bocadinho a empresa” e apontou, para além da Colômbia, Marrocos e o Brasil como as duas outras geografias com maior interesse para a expansão da atividade.

Contudo, se em Marrocos a empresa tem atualmente em curso a construção do novo centro comercial Zenata - um projeto de 100 milhões de euros, com abertura prevista para 2017, do qual a Sonae Sierra detém 11% - no Brasil, a atual “preocupação com a evolução política e económica” local está a obrigar a uma “estratégia de contenção do investimento”.

“Até a situação ser mais clara, no Brasil vamos limitar-nos a trabalhar no nosso ‘portfolio’ e não estamos a tomar decisões de investimento”, afirmou Fernando Guedes de Oliveira.


Paralelamente, a Sonae Sierra pretende “continuar a olhar para uma série de países em África, como Moçambique”, onde já está atualmente a prestar serviços a terceiros (na gestão e comercialização de centros comerciais) e a estudar “quando e se haverá um momento oportuno para fazer um investimento”.

“A África e a América Latina serão as nossas apostas no futuro.”


Admitindo que os últimos cinco anos foram "muito difíceis", o presidente executivo da Sonae Sierra diz esperar agora que “a recuperação dos mercados europeus seja um facto, nomeadamente no Sul da Europa”, e aponta como meta a manutenção da subida da ‘performance’ operacional da empresa.

“Temos tido uma boa abertura dos mercados financeiros para nos financiar, mas continuamos a gerir a empresa de forma prudente. Aprendemos com o passado, não o esquecemos, e tiramos as ilações da crise”, concluiu.

Atualmente detentora de 46 centros comerciais em sete países (Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Grécia, Roménia e Brasil), a Sonae Sierra opera em 17 países na gestão e comercialização de 87 empreendimentos, com uma ABL de cerca de 2,4 milhões de metros quadrados e um valor de mercado na ordem dos 6.000 milhões de euros.

No primeiro semestre do ano o resultado líquido da empresa aumentou 66%, para 79,3 milhões de euros, tendo o resultado operacional recuado 1%, para 50,1 milhões de euros, e o NAV (‘net asset value’, valor líquido dos ativos) crescido 4,2%, para 1,2 mil milhões de euros.