Os três municípios da Frente Atlântica do Porto divulgaram esta terça-feira ter encontrado uma alternativa à Águas do Norte com tarifas mais baratas para os cidadãos e que passa pela criação de numa nova captação em Crestuma, Gaia.

“Temos aqui um modelo que permite não aumentar os custos, garantir água de qualidade e até absorver outros municípios”, assinalou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, acrescentando que desta forma a Frente Atlântica pretende “assumir as competências relativamente à distribuição da água”.

Também o autarca de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues garantiu que a proposta apresentada, e assente num estudo que viabiliza um novo sistema de captação e tratamento de água para servir os três concelhos, não pretende “fazer nenhuma afronta” mas sim demonstrar “que há uma alternativa a um erro histórico” e uma “solução que desonere o que serão as tarifas no próximo ano”.

Já o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, aproveitou para criticar uma situação de “ingerência política por parte da administração central junto dos municípios”, frisando ser esta alternativa divulgada “um sinal dirigido ao poder central” de que as três autarquias “não vão parar na defesa dos cidadãos”.

A solução apresentada assenta num estudo levado a cabo em consequência da extinção da empresa Águas do Douro e Paiva e sua integração na Águas do Norte cuja criação foi alvo de contestação judicial de diversos municípios, incluindo os três da Frente Atlântica,

O estudo concluiu ser “tecnicamente possível” desenvolver uma alternativa, e com “custos mais reduzidos, que conduzirão a tarifas mais baixas aos consumidores”.

A alternativa à Águas do Norte implica um investimento de 101 milhões de euros em três anos e passa pela criação de uma nova captação na albufeira de Crestuma, em Gaia, pela construção de uma nova Estação de Tratamento de Água em Gondomar e de dois sistemas elevatórios a norte e sul do rio Douro e a compra à Águas do Norte das condutas de distribuição usadas pelos três municípios.

Com o novo sistema de captação de água em alta, os municípios esperam conseguir tarifas entre os 0,45 euros e os 0,38 euros por metro cúbico, valor que varia consoante a comparticipação ao investimento conseguida de fundos comunitários PO SEUR por entre os 0% e os 65% e que fica abaixo dos 0,52 euros que passarão a ser cobrados pela Águas do Norte.

Terminado o estudo, e concluída a viabilidade de um novo sistema, os autarcas irão agora esperar pela nomeação do ministro do Ambiente com quem esperam “iniciar um processo negocial” para a sua concretização “a qual passará pela criação de uma empresa intermunicipal”, acrescenta o documento hoje disponibilizado.

Os autarcas revelaram também que o sistema estará aberto à possibilidade de agregar outros municípios que pertenceram à Águas do Douro e Paiva “com uma grande probabilidade de, com o aumento de adesões, a tarifa a cobrar ser ainda mais reduzida”.